Ela voltou a sala, e eu fui pro banheiro. Tinha algo errado comigo... Mas eu não sabia dizer exatamente o que. Era um grotesco arrependimento que me ardia o peito e pesava a cabeça...
Porque eu estou fazendo aquilo com a Sabrina? Ela não merece isso!
Eu sei que ela gosta de mim. Eu sei! Eu sou mesmo um cara odioso... Deixei que meus hormônios falassem por mim. Parei de pensar com a cabeça de cima.
Olhei pro espelho e vi meu reflexo... Aquilo me torturou de tal forma, que não podia mais ficar ali com a Lílian. E o pior é que eu não posso simplesmente chegar e assisti o filme enquanto ela está pegado fogo... O que eu vou fazer? O que?!
Ir embora?! Não... Seria a pior coisa que eu poderia fazer.
Voltar a sala?! E o que dizer?
“Desculpa Lílian, mas eu acabei de ter um surto de consciência e não posso ficar aqui, e tudo porque eu gosto da Sabrina!”.
Essa desculpa acabaria com nosso relacionamento... O que foi que eu fiz?!
Por que eu não vou lá e faço o que tenho que fazer? Vou lá e faço o que não pude fazer meses atrás, mostro como posso deixá-la louca de prazer!
Por que eu estou agindo como um idiota?
-Você ta apaixonado... Eu tenho certeza.
Essa frase veio detrás de mim, olhei pelo grande espelho para ver quem foi seu autor. Um rapaz alto, de cabelos castanhos lisos que tocavam os ombros, jaqueta de couro e um sorriso vagaroso no rosto.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa ele fez outro comentário:
-Esse seu olhar diz tudo... Ah, cara... Você perdeu. Ela ganhou. Nada que você faça vai mudar isso.
Virei-me para encará-lo de frente, sorri triste e respondi:
-Você tem razão... Eu perdi.
-E aí?! Vai fazer o quê? –ele perguntou com uma naturalidade sobrenatural, como se já me conhecesse, e eu não sei porque, talvez pelo fragilidade do momento, mas continuei a conversa:
-Não sei... Estou com uma garota quando gosto de outra, mas não quero machucar a primeira.
-E por que ta com ela se gosta da outra?
-Percebi agora de quem realmente gosto.
Ele levantou a sobrancelha esquerda, suspirou e disse:
-Joga ela na minha.
-O quê?! –Eu fingi não ter entendido, ele explicou:
-Me apresenta pra ela. Talvez eu possa fazer algo.
Quando entendi a idéia dele fiquei horrorizado:
-Você quer que eu te entregue ela assim de bandeja? Que tipo de cara eu seria se fizesse isso? E eu nem te conheço. –ele fez cara de coitado:
-É verdade... Tudo bem, desculpa... Onde eu tava com a cabeça?!
O cara saiu do banheiro. E de repente eu vi a minha resolução do problema ali... Indo embora. A única coisa que pensei foi: “vou me arrepender disso!”.
Corri atrás dele, e o chamei, ele parou, se virou para mim e estendeu o braço me cumprimentando:
-Prazer, sou o Orlando.
-Meu nome é Talles. E você vai ser meu amigo de infância que por acaso reencontrei no banheiro, tem que bancar aquele amigo chato, sentar entre nós dois... Essa coisa toda. Mas se você passar dos limites eu quebro sua cara.
Nesta ultima frase fui bastante intimidador, do tipo que nunca fui, mas quando se mexe com gente de quem gostamos as coisas mudam.
Ele disse a ultima coisa antes de me abraçar, como se fossemos os melhores amigos:
-Relaxa... Não vou fazer nada demais.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Coisas que acontecem, pt 09.
-Da seleção de vôlei.
-Da deleção?
-É... E o mais incrível é que ela gosta de matemática.
-Incrível mesmo. –Dessa vez ela ficou sem nenhuma expressão no rosto, como se tivesse ficando entediada. Só agora havia me dado conta que estava fazendo besteira! Não podia sair dizendo pra uma, como a outra é tão inteligente, tão importante... Eu sou muito burro!
Tenho que reverter isso de alguma forma, tenho que exaltá-la também, tenho que deixá-la no mesmo nível que a Sabrina, mas não pode ser algo muito descarado, tem que ser indiretamente... Algo que ela perceba inconscientemente.
Mas como diabos eu vou fazer isso?!
Tenho que pensar rápido...
Hum! Já sei! Puxo uma conversa com ela e no meio dessa conversa eu vou pondo as qualidades dela, de forma bem discreta. Agora é só eu achar um assunto:
-Sabe de uma coisa que sinto muito a falta?
-O quê? – o rosto dela ainda parecia vazio, e nenhuma curiosidade era visível.
-Das nossas sextas do cinema trash lá em casa. –respondi com certa animação.
-Eram bem legais. –o rosto dela mudou para um leve sorriso, desses de recordações boas. Eu continuei o plano:
-Assistir aqueles filmes toscos de terror em que gargalhávamos com as cenas malfeitas...
-E quando colocávamos a dublagem do filme em árabe e sem legendas... Aí ficávamos dublando os personagens! Inventando “estorinhas nada ver” por cima da estória do filme. –Lílian já estava totalmente entusiasmada na conversa.
-E algumas ainda davam certo! Você é a melhor, conseguia até sincronizar o movimento da boca. –De repente ela mencionou:
-Tenho uma curiosidade.
-Qual? –perguntei curioso, e ela respondeu cochichando ao meu ouvido:
-Terminamos de assistir algum daqueles filmes?
Recordei porque ela fez esta pergunta, sempre que marcávamos a sexta do cinema trash assistimos só a metade do filme, pois sempre terminávamos nos agarrando.
-Eu acho que não. Lembro que mamãe ficava de vigiar a gente, mas sempre dormia. Vou contar um segredo a você...
-Conta... –agora ela estava totalmente envolvida em nossa conversa e se mostrava inteiramente curiosa, meu plano tinha dado certo apesar de não ter feito muita coisa. Contei o segredo no ouvido dela:
-No dia em que assistimos Zé do caixão eu pus sonífero no café dela.
-Você fez isso?! Foi por isso que ela estava com um sono tão profundo. –Lílian respondeu surpresa, mas ainda com um sorriso no rosto como se aprovasse minha ação. Comentei:
-Aquela foi nossa melhor noite... –ela mordeu delicadamente o lábio inferior como se revivesse o momento:
-Você foi muito malvado naquele dia.
-Eu poderia ter sido bem mais se estivéssemos totalmente a sós.
Ela suspirou forte, e novamente cochichou no meu ouvido:
-Que tal escolher um filme bem ruim? Desses que ninguém vai assisti.
-Pra ficarmos sós, eu acho perfeito. –respondi olhando fundo nos olhos dela, apenas uma distancia de um beijo separava a minha boca a dela.
Falando de fazer a coisa certa
O clima esquentou bastante e eu não via a hora de entrar naquela sala de cinema quase vazia... Minha imaginação fluía como uma bola de sabão em um banho de espumas.
Logo estávamos na sala escura, e nem deu tempo dos traillers terminarem e já estávamos em beijos e amassos, de repente ela parou e disse:
-Me espera, eu vou ao banheiro e já volto.
Lílian se levantou e saiu um tanto apressada. Só agora olhei pro telona e descobri que filme estava passando, é uma dessas comedias românticas, começava com o cara chegando em casa depois de ser despedido.
Ele encontrava a mulher dele fazendo sexo com outro.
E ele não fazia nada, só ficava olhando.
Aquilo me correu as veias, e eu não sei direito o que senti, apenas me levantei e também sai da sala, encontrei Lílian voltando:
-O que foi?
-Também vou ao banheiro, não demoro.
-Ta bem.
-Da deleção?
-É... E o mais incrível é que ela gosta de matemática.
-Incrível mesmo. –Dessa vez ela ficou sem nenhuma expressão no rosto, como se tivesse ficando entediada. Só agora havia me dado conta que estava fazendo besteira! Não podia sair dizendo pra uma, como a outra é tão inteligente, tão importante... Eu sou muito burro!
Tenho que reverter isso de alguma forma, tenho que exaltá-la também, tenho que deixá-la no mesmo nível que a Sabrina, mas não pode ser algo muito descarado, tem que ser indiretamente... Algo que ela perceba inconscientemente.
Mas como diabos eu vou fazer isso?!
Tenho que pensar rápido...
Hum! Já sei! Puxo uma conversa com ela e no meio dessa conversa eu vou pondo as qualidades dela, de forma bem discreta. Agora é só eu achar um assunto:
-Sabe de uma coisa que sinto muito a falta?
-O quê? – o rosto dela ainda parecia vazio, e nenhuma curiosidade era visível.
-Das nossas sextas do cinema trash lá em casa. –respondi com certa animação.
-Eram bem legais. –o rosto dela mudou para um leve sorriso, desses de recordações boas. Eu continuei o plano:
-Assistir aqueles filmes toscos de terror em que gargalhávamos com as cenas malfeitas...
-E quando colocávamos a dublagem do filme em árabe e sem legendas... Aí ficávamos dublando os personagens! Inventando “estorinhas nada ver” por cima da estória do filme. –Lílian já estava totalmente entusiasmada na conversa.
-E algumas ainda davam certo! Você é a melhor, conseguia até sincronizar o movimento da boca. –De repente ela mencionou:
-Tenho uma curiosidade.
-Qual? –perguntei curioso, e ela respondeu cochichando ao meu ouvido:
-Terminamos de assistir algum daqueles filmes?
Recordei porque ela fez esta pergunta, sempre que marcávamos a sexta do cinema trash assistimos só a metade do filme, pois sempre terminávamos nos agarrando.
-Eu acho que não. Lembro que mamãe ficava de vigiar a gente, mas sempre dormia. Vou contar um segredo a você...
-Conta... –agora ela estava totalmente envolvida em nossa conversa e se mostrava inteiramente curiosa, meu plano tinha dado certo apesar de não ter feito muita coisa. Contei o segredo no ouvido dela:
-No dia em que assistimos Zé do caixão eu pus sonífero no café dela.
-Você fez isso?! Foi por isso que ela estava com um sono tão profundo. –Lílian respondeu surpresa, mas ainda com um sorriso no rosto como se aprovasse minha ação. Comentei:
-Aquela foi nossa melhor noite... –ela mordeu delicadamente o lábio inferior como se revivesse o momento:
-Você foi muito malvado naquele dia.
-Eu poderia ter sido bem mais se estivéssemos totalmente a sós.
Ela suspirou forte, e novamente cochichou no meu ouvido:
-Que tal escolher um filme bem ruim? Desses que ninguém vai assisti.
-Pra ficarmos sós, eu acho perfeito. –respondi olhando fundo nos olhos dela, apenas uma distancia de um beijo separava a minha boca a dela.
Falando de fazer a coisa certa
O clima esquentou bastante e eu não via a hora de entrar naquela sala de cinema quase vazia... Minha imaginação fluía como uma bola de sabão em um banho de espumas.
Logo estávamos na sala escura, e nem deu tempo dos traillers terminarem e já estávamos em beijos e amassos, de repente ela parou e disse:
-Me espera, eu vou ao banheiro e já volto.
Lílian se levantou e saiu um tanto apressada. Só agora olhei pro telona e descobri que filme estava passando, é uma dessas comedias românticas, começava com o cara chegando em casa depois de ser despedido.
Ele encontrava a mulher dele fazendo sexo com outro.
E ele não fazia nada, só ficava olhando.
Aquilo me correu as veias, e eu não sei direito o que senti, apenas me levantei e também sai da sala, encontrei Lílian voltando:
-O que foi?
-Também vou ao banheiro, não demoro.
-Ta bem.
Coisas que acontecem, pt 08.
Desliguei o telefone arrependido. Por que tinha que ouvir mamãe? “Mulher adora essas coisas!”, coisa besta. Passei mó vergonha, ainda bem que só vou vê-la novamente na segunda, talvez até lá ela já tenha esquecido.
Fiquei um tempo deitado na cama. Olhando pro teto.
Devo ligar pra Lílian...? Eu gosto muito da Sabrina, mas e se de repente aquilo que aconteceu ontem não representar nada pra ela? Se foi só um momento de hormônios super ativos? Talvez seja bom investir em uma outra pessoa. Sei que não gosto tanto da Lílian como da Sabrina, mas será bem mais interessante pra mim se eu não ficar só.
Agora sim estou pensando como um homem de verdade! Sem esse negocio de romancezinho... Isso é coisa de malhação.
O que eu tenho que fazer é ir lá, da uns quebra na Lílian e na segunda, se possível, ainda dá uns pega na Sabrina na sala de matérias abandonados. Aí sim... Seria perfeito.
Depois eu só continuava administrando... Namorando com a Lílian, dando “umas” escondida com a Sabrina. É perfeito!
Vai ser difícil cair na rotina assim... Serei o cara mais feliz do mundo.
Então eu vou ligar pra Lílian, só pra perguntar se está tudo bem para sairmos hoje.
Ela atendeu rápido o telefonema:
-Alô?
-Sou eu, Talles.
-Oi Talles!
-Oi, tou ligando pra dar bom dia...
-Ai, que bom.
-E pra pergunta se o cinema ainda está de pé?
-É claro, né? Dá pra você?
-Perfeitamente.
-Ta bom, passa aqui as três.
-Ta bom, pode deixar.
-E bom dia pra você também.
-Obrigado.
-Beijo e Tchau.
-Tchau.
Falando de fazer besteira
Cheguei pontualmente à casa de Lílian e devidamente arrumado. Como minha estima tava em alta, arrisquei até um penteado mais radical... Desses de rockeiros estilosos. Assim que bati na porta ela saiu já arrumada.
Estava realmente bonita, usava um roupa discreta mas que enfatizavam seus atributos físicos, fiquei um curto tempo desfrutando da visão, ela percebeu e perguntou com o rosto vermelho:
-O que foi?
-Você realmente é bonita.
-Obrigada... Você também ta bem gatinho. –ela respondeu sem jeito, sorri com o canto da boca e logo nos retiramos. Fomos de ônibus até o shopping, no percurso conversávamos, foi ela quem primeiro puxou assunto:
-Faz tempo que a gente não sai assim, né?
-Verdade. Bons tempos aqueles...
-Eu também gostava muito.
-O mais incrível é que podia ser o pior programa do mundo, mas com você tudo ficava divertido. –ela mostrou um grande sorriso com o meu elogio e comentou:
-Ah... Você também tinha seus momentos... Sabia sempre dizer as coisas certas na hora certa.
-Se é o que você diz... –comentei alegre em devaneio, recordando os momentos citados.
-Mas... Me conta aí, ficou esse tempo todo só? –ela interrompeu minha “viagem”, respondi voltando a mim:
-Fiquei...
-Mas e a Sabrina?
-O que tem ela?
-Não ta rolando nada entre vocês dois?
-Não, eu acho que não... –respondi rápido.
Houve um breve silencio, comecei a raciocinar sobre se havia dito a coisa certa, deduzi que sim... Mas eu não devia demonstrar tanta incerteza. Creio que se dissesse que alguma coisa tinha acontecido entre eu e Sabrina, Lílian não se sentiria confortável comigo naquele momento.
-Ela parece uma garota legal. –Lílian disse isso como quem se dá bom dia pro vizinho chato, sem a menor vontade.
-Ela é. –respondi por impulso, fiquei meio estranho, aquilo saiu de mim tão rápido, Lílian continuou:
-Ela é do basquete, né?
Fiquei um tempo deitado na cama. Olhando pro teto.
Devo ligar pra Lílian...? Eu gosto muito da Sabrina, mas e se de repente aquilo que aconteceu ontem não representar nada pra ela? Se foi só um momento de hormônios super ativos? Talvez seja bom investir em uma outra pessoa. Sei que não gosto tanto da Lílian como da Sabrina, mas será bem mais interessante pra mim se eu não ficar só.
Agora sim estou pensando como um homem de verdade! Sem esse negocio de romancezinho... Isso é coisa de malhação.
O que eu tenho que fazer é ir lá, da uns quebra na Lílian e na segunda, se possível, ainda dá uns pega na Sabrina na sala de matérias abandonados. Aí sim... Seria perfeito.
Depois eu só continuava administrando... Namorando com a Lílian, dando “umas” escondida com a Sabrina. É perfeito!
Vai ser difícil cair na rotina assim... Serei o cara mais feliz do mundo.
Então eu vou ligar pra Lílian, só pra perguntar se está tudo bem para sairmos hoje.
Ela atendeu rápido o telefonema:
-Alô?
-Sou eu, Talles.
-Oi Talles!
-Oi, tou ligando pra dar bom dia...
-Ai, que bom.
-E pra pergunta se o cinema ainda está de pé?
-É claro, né? Dá pra você?
-Perfeitamente.
-Ta bom, passa aqui as três.
-Ta bom, pode deixar.
-E bom dia pra você também.
-Obrigado.
-Beijo e Tchau.
-Tchau.
Falando de fazer besteira
Cheguei pontualmente à casa de Lílian e devidamente arrumado. Como minha estima tava em alta, arrisquei até um penteado mais radical... Desses de rockeiros estilosos. Assim que bati na porta ela saiu já arrumada.
Estava realmente bonita, usava um roupa discreta mas que enfatizavam seus atributos físicos, fiquei um curto tempo desfrutando da visão, ela percebeu e perguntou com o rosto vermelho:
-O que foi?
-Você realmente é bonita.
-Obrigada... Você também ta bem gatinho. –ela respondeu sem jeito, sorri com o canto da boca e logo nos retiramos. Fomos de ônibus até o shopping, no percurso conversávamos, foi ela quem primeiro puxou assunto:
-Faz tempo que a gente não sai assim, né?
-Verdade. Bons tempos aqueles...
-Eu também gostava muito.
-O mais incrível é que podia ser o pior programa do mundo, mas com você tudo ficava divertido. –ela mostrou um grande sorriso com o meu elogio e comentou:
-Ah... Você também tinha seus momentos... Sabia sempre dizer as coisas certas na hora certa.
-Se é o que você diz... –comentei alegre em devaneio, recordando os momentos citados.
-Mas... Me conta aí, ficou esse tempo todo só? –ela interrompeu minha “viagem”, respondi voltando a mim:
-Fiquei...
-Mas e a Sabrina?
-O que tem ela?
-Não ta rolando nada entre vocês dois?
-Não, eu acho que não... –respondi rápido.
Houve um breve silencio, comecei a raciocinar sobre se havia dito a coisa certa, deduzi que sim... Mas eu não devia demonstrar tanta incerteza. Creio que se dissesse que alguma coisa tinha acontecido entre eu e Sabrina, Lílian não se sentiria confortável comigo naquele momento.
-Ela parece uma garota legal. –Lílian disse isso como quem se dá bom dia pro vizinho chato, sem a menor vontade.
-Ela é. –respondi por impulso, fiquei meio estranho, aquilo saiu de mim tão rápido, Lílian continuou:
-Ela é do basquete, né?
Coisas que acontecem, pt 07.
-Guardanapo? A senhora se ganha por muito pouco. –fiquei curioso, dona Isa explicou:
-Pois é... Seu pai sempre foi criativo. No nosso primeiro encontro fomos ao cinema e depois ele me levou em uma lanchonete, e quando estávamos pra ir embora seu pai desenhou no guardanapo dois bonequinhos bem bonitinhos, um era eu e o outro era ele, em cima de cada desenho ele pôs uma balão de fala, o dele tinha escrito: “Me dá um beijo?”, e o meu estava vazio, esperando uma resposta. Foi tão meigo, eu não resisti!
-Mas que coisa besta!
Ela ficou brava com meu insulto:
-Pelo menos antes tinha que rolar toda uma trama pra haver um relacionamento, mas hoje o pessoal nem conversa mais, é uma sem-vergonhice só!
-Se é tão bom assim, por que você e o papai não estão juntos agora?
-Porque ele caiu nessa sem-vergonhice! Aquele safado!
-Se a senhora diz...
-Não mude de assunto! Estamos falando do senhor. –mudando totalmente a feição de raiva para sonhadora - Por que não liga pra ela e da um bom dia...? Mulheres adoram isso.
-As coisas não são tão simples.
-E por quê?
-É uma historia longa... Mas vou aceitar seu conselho, vou ligar sim.
-Aposto como você vai me agradecer depois.
Saí da mesa e fui até o telefone, levei para o meu quarto.
Pra quem eu ligo primeiro? Pra Sabrina ou Lílian?
Se eu ligar pra Sabrina o que vou dizer a ela? “Oi, e aí? Como você tá?”. Que tosco. Ligar pra dizer oi é a coisa mais chata do mundo, e se de repente eu ligo e estiver ocupada? Vai ser bem sem graça... Mas acho que eu devia ligar, depois do que rolou... Se eu não ligar fica meio insensível da minha parte, isso sempre pesa para os homens.
Vou ligar pra ela primeiro, a Lílian pode esperar, nós nos veremos hoje a tarde mesmo.
O mais incrível é que quando estamos ansiosos, cada chamada do telefone parece uma eternidade, aqueles “tuuuuuuu...” matam qualquer um dos nervos.
-Alô? –uma voz feminina atendeu.
-Oi, Sabrina?
-Não, aqui é a Sarah, a Sabrina está na cozinha, eu vou chamar, quem é que está falando?
Quando ela disse o nome dela, foi como se eu tivesse engolido um quilo de areia, minha garganta secou na hora. Lembro perfeitamente daquele nome! Sarah é a namorada de Sabrina... Já tinha até me esquecido desse detalhe, e agora? O que faço?
Devo me comportar naturalmente.
-Alô? Ainda ta aí? – a moça não entendeu meu silêncio.
-É... Diz que é um amigo de escola, o Talles.
-Talles?
-É.
-O famoso Talles?
Nessa hora eu gelei e quase gaguejei:
-Famoso...?
-Sabrina disse que você é o melhor amigo dela. Um cara super bacana... Ela me falou bastante de você.
-Aposto como ela exagerou um pouco... –eu estava totalmente sem jeito, sorte a minha o telefone ainda não ter câmera.
-Aposto que não. Espera um momento, já vou chamá-la.
-Tá certo.
A voz dela é extremamente calma e confortante, perfeitamente cabível ao rosto daquela foto que Sabrina me mostrou.
Meu coração já batia acelerado, um tempinho depois Sabrina atendeu:
-Oi?
-Oi Sabrina... Como ta?
-Eu estou bem. Por quê?
-Por nada, só liguei pra te dar um bom dia e perturbar mesmo.
-Obrigada. Você nunca fez isso...
-Tem muita coisa que eu ainda não fiz.
Não sei exatamente porque mas esta frase teve quase um duplo sentido, que causou uma situação desconfortável entre nós dois.
Percebendo que estava levando as coisas da forma errada, decidi encerrar a conversa:
-Então ta, né?! Bom dia pra você... A gente se vê na segunda.
-Ta bom, obrigada por ligar, faz isso mais vezes...
-Ta certo...
-Tchau.
-Tchau...
-Pois é... Seu pai sempre foi criativo. No nosso primeiro encontro fomos ao cinema e depois ele me levou em uma lanchonete, e quando estávamos pra ir embora seu pai desenhou no guardanapo dois bonequinhos bem bonitinhos, um era eu e o outro era ele, em cima de cada desenho ele pôs uma balão de fala, o dele tinha escrito: “Me dá um beijo?”, e o meu estava vazio, esperando uma resposta. Foi tão meigo, eu não resisti!
-Mas que coisa besta!
Ela ficou brava com meu insulto:
-Pelo menos antes tinha que rolar toda uma trama pra haver um relacionamento, mas hoje o pessoal nem conversa mais, é uma sem-vergonhice só!
-Se é tão bom assim, por que você e o papai não estão juntos agora?
-Porque ele caiu nessa sem-vergonhice! Aquele safado!
-Se a senhora diz...
-Não mude de assunto! Estamos falando do senhor. –mudando totalmente a feição de raiva para sonhadora - Por que não liga pra ela e da um bom dia...? Mulheres adoram isso.
-As coisas não são tão simples.
-E por quê?
-É uma historia longa... Mas vou aceitar seu conselho, vou ligar sim.
-Aposto como você vai me agradecer depois.
Saí da mesa e fui até o telefone, levei para o meu quarto.
Pra quem eu ligo primeiro? Pra Sabrina ou Lílian?
Se eu ligar pra Sabrina o que vou dizer a ela? “Oi, e aí? Como você tá?”. Que tosco. Ligar pra dizer oi é a coisa mais chata do mundo, e se de repente eu ligo e estiver ocupada? Vai ser bem sem graça... Mas acho que eu devia ligar, depois do que rolou... Se eu não ligar fica meio insensível da minha parte, isso sempre pesa para os homens.
Vou ligar pra ela primeiro, a Lílian pode esperar, nós nos veremos hoje a tarde mesmo.
O mais incrível é que quando estamos ansiosos, cada chamada do telefone parece uma eternidade, aqueles “tuuuuuuu...” matam qualquer um dos nervos.
-Alô? –uma voz feminina atendeu.
-Oi, Sabrina?
-Não, aqui é a Sarah, a Sabrina está na cozinha, eu vou chamar, quem é que está falando?
Quando ela disse o nome dela, foi como se eu tivesse engolido um quilo de areia, minha garganta secou na hora. Lembro perfeitamente daquele nome! Sarah é a namorada de Sabrina... Já tinha até me esquecido desse detalhe, e agora? O que faço?
Devo me comportar naturalmente.
-Alô? Ainda ta aí? – a moça não entendeu meu silêncio.
-É... Diz que é um amigo de escola, o Talles.
-Talles?
-É.
-O famoso Talles?
Nessa hora eu gelei e quase gaguejei:
-Famoso...?
-Sabrina disse que você é o melhor amigo dela. Um cara super bacana... Ela me falou bastante de você.
-Aposto como ela exagerou um pouco... –eu estava totalmente sem jeito, sorte a minha o telefone ainda não ter câmera.
-Aposto que não. Espera um momento, já vou chamá-la.
-Tá certo.
A voz dela é extremamente calma e confortante, perfeitamente cabível ao rosto daquela foto que Sabrina me mostrou.
Meu coração já batia acelerado, um tempinho depois Sabrina atendeu:
-Oi?
-Oi Sabrina... Como ta?
-Eu estou bem. Por quê?
-Por nada, só liguei pra te dar um bom dia e perturbar mesmo.
-Obrigada. Você nunca fez isso...
-Tem muita coisa que eu ainda não fiz.
Não sei exatamente porque mas esta frase teve quase um duplo sentido, que causou uma situação desconfortável entre nós dois.
Percebendo que estava levando as coisas da forma errada, decidi encerrar a conversa:
-Então ta, né?! Bom dia pra você... A gente se vê na segunda.
-Ta bom, obrigada por ligar, faz isso mais vezes...
-Ta certo...
-Tchau.
-Tchau...
Coisas que acontecem, pt 06.
Falando de Explicações
Estávamos a caminho de nossas casas, a distancia se coincidia por uns duzentos metros, depois disso ela iria para um lado e eu por outro. Ou seja, tinha pouco tempo pra falar sobre o que aconteceu, procurei não perder muito esse tempo, já que era um desses assuntos que não dá pra conversar por telefone:
-Eu tou meio confuso, sabe...?
Ela continuou calada, continuamos andando.
-Eu não tou conseguindo encaixar as coisas direito... Você podia me dar uma ajuda?
Ela permaneceu sem dizer uma única palavra, e este silencio já estava me dando nos nervos. Os metros iam se acabando, eu tinha que fazer algo, ou passaria o sábado e o domingo em loucura pra saber qual o real motivo por isso ter acontecido.
Procurei pensar em algo, olhei para um lado e outro imaginado ver qualquer coisa que pudesse me dar uma luz, apenas uma idéia me veio à cabeça e estávamos a poucos metros da bifurcação de nossos trajetos, então a coloquei em pratica.
Segurei em sua mão e parei, ela também não reagiu, pude perceber que evitava me olhar, tentando me mostrar calmo questionei:
-Você não tem nada pra me dizer?
De repente ela olhou pra mim, seus olhos lacrimejavam, mas sua feição permanecia neutra, largou-se da minha mão e disse me dando as costas:
-Eu também estou muito confusa...
Foi embora. A vi dobrar a esquina em passos calmos. Aquela imagem despedaçou meu coração.
Eu havia feito uma garota chorar? E justamente a garota que eu gostava!
Em seguida começou a chover. E até pareceu aquelas cenas de filmes românticos.
Estava me molhando todo e mesmo assim eu não queria sair dali, a chuva me confortava. Olhei pro céu, a noite chegou mais cedo naquela tarde.
E logo o frio começou a fazer meu esqueleto tremer.
Dei dois passos rápidos pensando em fugir da chuva, foi quando me dei conta que já estava totalmente ensopado, desisti da idéia e continuei no mesmo ritmo sem me importar com a água.
Comecei a especular sobre tudo o que havia acontecido... Mas nada na minha mente se encaixava direito. Não conseguia pensar, apenas rever mentalmente todos os momentos de poucas horas atrás, e de como tinha sido bom.
Quando dei me conta, não me molhava mais, alguém havia posto um guarda chuva sobre minha cabeça, olhei inocentemente para ver quem era, e não me surpreendi quando vi Lílian, a minha vizinha e amiga de escola (vista pela primeira vez no capitulo “falando dela”; pág. 1).
-Eu não vou deixar meu amiguinho pegar um resfriado!
Foi o que ela disse me dando um abraço exprimido para que nós dois coubéssemos na área de proteção do objeto: o guarda chuva. Respondi com um sorriso:
-Obrigado... O que seria de mim sem você?
-Às vezes eu também me pergunto isso, mas se bem que banhar na chuva é uma ótima idéia... Não acha?
Então ela fechou o guarda chuva e também começou a se molhar, sorri de novo e comentei:
-Tinha esquecido de que é você... –de repente subi meu animo, ela sempre conseguia fazer isso. Então propus:
-Quer apostar uma corrida daqui até em casa?
-Por que você acha que pode me vencer com essas perninhas de graveto?
-Porque sei que corro mais que uma baleia! –respondi brincando, ela fingiu ter ficado brava:
-Então ta! Eu vou conferi até três, em?
-Ta certo. -concordei já me preparando. Mas de repente ela começou a correr e gritou me dando língua:
-Não me pega!!!
Corri em seguida atrás dela:
-Assim não vale!
A casa de Lílian era segunda da rua, enquanto a minha ficava duas casas depois, do outro lado. Devido as más condições físicas em que me encontrava ela ganhou a corrida, paramos a porta de sua casa, onde já não nos molhávamos.
Então debochando de mim, Lílian comentou:
-Eu disse que você não iria ganhar.
-Foi sorte... – respondi pegando fôlego, ela continuou:
-Agora você me deve uma.
-Ah, é?! –fiz cara de quem não ia pagar nada, então ela disse já entrando em casa:
-Amanhã as três vamos ao cinema! Não vai me fazer ficar esperando.
Antes mesmo que eu pudesse falar qualquer coisa ela fechou a porta, demorei um leve instante parar perceber que havia marcado um encontro. Fiquei meio pasmo... E lembrei da Sabrina e até pensei em desistir, mas fazer isso com a Lílian seria sacanagem.
Cheguei em casa com muita coisa na cabeça... Tomei um banho e apaguei na cama sem nem mesmo jantar ou pensar.
Falando de fazer a coisa certa
Dormi até as onze e meia do outro dia, acordei para o almoço e minha cabeça já se mostrava cheia de pensamentos conturbados. Mesmo assim estava tranqüilo, o dia estava bonito, os pássaros cantavam, as arvores dançavam com o vento...
Percebi que já fazia tempo que não reparava nessas coisas, agora eu estava na mesa do almoço olhando pela janela, minha mãe comentou ao perceber meu suspiro forte e olhar brilhante:
-Ih... Acho que o cupido finalmente acertou meu filho.
-Não viaja senhora! –neguei a opinião, ela me ignorou e continuou:
-Já tava na hora, em? Quero saber quem é a garota.
-Do que a senhora ta falando?
-Não tenta me enrolar! Eu já tive a tua idade menino!
Fiquei calado. Ela tentou me deixar mais confortável a situação:
-O primeiro garoto que me apaixonei de verdade foi pelo seu pai, sabia?
-Sei... Sei...
-Ele me conquistou só com uma conversa e um guardanapo, acredita?
Estávamos a caminho de nossas casas, a distancia se coincidia por uns duzentos metros, depois disso ela iria para um lado e eu por outro. Ou seja, tinha pouco tempo pra falar sobre o que aconteceu, procurei não perder muito esse tempo, já que era um desses assuntos que não dá pra conversar por telefone:
-Eu tou meio confuso, sabe...?
Ela continuou calada, continuamos andando.
-Eu não tou conseguindo encaixar as coisas direito... Você podia me dar uma ajuda?
Ela permaneceu sem dizer uma única palavra, e este silencio já estava me dando nos nervos. Os metros iam se acabando, eu tinha que fazer algo, ou passaria o sábado e o domingo em loucura pra saber qual o real motivo por isso ter acontecido.
Procurei pensar em algo, olhei para um lado e outro imaginado ver qualquer coisa que pudesse me dar uma luz, apenas uma idéia me veio à cabeça e estávamos a poucos metros da bifurcação de nossos trajetos, então a coloquei em pratica.
Segurei em sua mão e parei, ela também não reagiu, pude perceber que evitava me olhar, tentando me mostrar calmo questionei:
-Você não tem nada pra me dizer?
De repente ela olhou pra mim, seus olhos lacrimejavam, mas sua feição permanecia neutra, largou-se da minha mão e disse me dando as costas:
-Eu também estou muito confusa...
Foi embora. A vi dobrar a esquina em passos calmos. Aquela imagem despedaçou meu coração.
Eu havia feito uma garota chorar? E justamente a garota que eu gostava!
Em seguida começou a chover. E até pareceu aquelas cenas de filmes românticos.
Estava me molhando todo e mesmo assim eu não queria sair dali, a chuva me confortava. Olhei pro céu, a noite chegou mais cedo naquela tarde.
E logo o frio começou a fazer meu esqueleto tremer.
Dei dois passos rápidos pensando em fugir da chuva, foi quando me dei conta que já estava totalmente ensopado, desisti da idéia e continuei no mesmo ritmo sem me importar com a água.
Comecei a especular sobre tudo o que havia acontecido... Mas nada na minha mente se encaixava direito. Não conseguia pensar, apenas rever mentalmente todos os momentos de poucas horas atrás, e de como tinha sido bom.
Quando dei me conta, não me molhava mais, alguém havia posto um guarda chuva sobre minha cabeça, olhei inocentemente para ver quem era, e não me surpreendi quando vi Lílian, a minha vizinha e amiga de escola (vista pela primeira vez no capitulo “falando dela”; pág. 1).
-Eu não vou deixar meu amiguinho pegar um resfriado!
Foi o que ela disse me dando um abraço exprimido para que nós dois coubéssemos na área de proteção do objeto: o guarda chuva. Respondi com um sorriso:
-Obrigado... O que seria de mim sem você?
-Às vezes eu também me pergunto isso, mas se bem que banhar na chuva é uma ótima idéia... Não acha?
Então ela fechou o guarda chuva e também começou a se molhar, sorri de novo e comentei:
-Tinha esquecido de que é você... –de repente subi meu animo, ela sempre conseguia fazer isso. Então propus:
-Quer apostar uma corrida daqui até em casa?
-Por que você acha que pode me vencer com essas perninhas de graveto?
-Porque sei que corro mais que uma baleia! –respondi brincando, ela fingiu ter ficado brava:
-Então ta! Eu vou conferi até três, em?
-Ta certo. -concordei já me preparando. Mas de repente ela começou a correr e gritou me dando língua:
-Não me pega!!!
Corri em seguida atrás dela:
-Assim não vale!
A casa de Lílian era segunda da rua, enquanto a minha ficava duas casas depois, do outro lado. Devido as más condições físicas em que me encontrava ela ganhou a corrida, paramos a porta de sua casa, onde já não nos molhávamos.
Então debochando de mim, Lílian comentou:
-Eu disse que você não iria ganhar.
-Foi sorte... – respondi pegando fôlego, ela continuou:
-Agora você me deve uma.
-Ah, é?! –fiz cara de quem não ia pagar nada, então ela disse já entrando em casa:
-Amanhã as três vamos ao cinema! Não vai me fazer ficar esperando.
Antes mesmo que eu pudesse falar qualquer coisa ela fechou a porta, demorei um leve instante parar perceber que havia marcado um encontro. Fiquei meio pasmo... E lembrei da Sabrina e até pensei em desistir, mas fazer isso com a Lílian seria sacanagem.
Cheguei em casa com muita coisa na cabeça... Tomei um banho e apaguei na cama sem nem mesmo jantar ou pensar.
Falando de fazer a coisa certa
Dormi até as onze e meia do outro dia, acordei para o almoço e minha cabeça já se mostrava cheia de pensamentos conturbados. Mesmo assim estava tranqüilo, o dia estava bonito, os pássaros cantavam, as arvores dançavam com o vento...
Percebi que já fazia tempo que não reparava nessas coisas, agora eu estava na mesa do almoço olhando pela janela, minha mãe comentou ao perceber meu suspiro forte e olhar brilhante:
-Ih... Acho que o cupido finalmente acertou meu filho.
-Não viaja senhora! –neguei a opinião, ela me ignorou e continuou:
-Já tava na hora, em? Quero saber quem é a garota.
-Do que a senhora ta falando?
-Não tenta me enrolar! Eu já tive a tua idade menino!
Fiquei calado. Ela tentou me deixar mais confortável a situação:
-O primeiro garoto que me apaixonei de verdade foi pelo seu pai, sabia?
-Sei... Sei...
-Ele me conquistou só com uma conversa e um guardanapo, acredita?
Coisas que acontecem, pt 05.
Quando terminou, ela olhou pra mim e disse:
-Talles, eu sou lésbica.
Falar pra que?
Se imagine no meu lugar... O que você faria? Pára um pouco de ler esse texto e reflita cinco minutinhos sobre a situação e como você reagiria. Como se sentiria se a garota que você estivesse apaixonado dissesse logo depois de beijá-lo que era lésbica? E aí? O que você faria? O que sentiria?
Eu não sei você, mas eu... Fiquei mudo. Ri com o canto da boca e ainda meio atordoado pelo momento e soltei palavras sem querer:
-Você tá de brincadeira?
-Não. O nome dela é Sarah, namoramos há seis meses.
Fiquei mudo. Ela pôs a mão no bolso, puxou uma foto e me deu.
A foto era dela beijando uma outra garota, morena dos cabelos lisos, usava óculos e parecia ser bem mais velha que eu e Sabrina. Olhei o verso da fotografia, tinha um recadinho: “Do fundo do meu coração, para perto do meu corpo... Te amo eternamente”.
Eu não acreditava no que ouvia ou no que via. Meu olhar era de quem tinha lido pela primeira vez a origem do Wolverine, ou de uma criança quando descobre pra que serve seu órgão genital além de fazer xixi.
Sabrinha tentou explicar:
- É por isso que não te contei antes! Agora você vai começar a me tratar como um monstro... Sem falar que eu achava que você já sabia. A forma com que você me tratava, nenhum garoto trata uma garota assim. Pelo menos nenhum garoto que conheci...
De repente me recobrei a consciência e esclareci já elevando a voz, exaltado:
-Essa cara não é porque você é lésbica! É a cara de quem leva um beijo e logo em seguida descobre que a garota que ele acabou de beijar já tem namorada...!
-Então você não liga? –Sabrina surpreendeu-se.
-Claro que não. –respondi com sinceridade, não me importava com o fato dela não gostar de meninos, mas sim com o fato de saber que ela não gostava de mim!
Perguntei em voz baixa com um sentimento estranho de vazio:
-Por que me beijou?
-Sei lá... Achei que levantaria sua alto estima.
-Só por isso...? –Minha voz saiu bem suave, e quase inaudível, mas ela percebeu com clareza o que eu quis dizer. Demorou a responder, como se não tivesse o que falar, situação que presenciei pela primeira vez ao lado dela, ela sempre tinha algo a dizer.
-Não, não foi só por isso.
De repente a tal lésbica me puxou pelo braço, subimos à escada. Até onde ficava o depósito de coisas velhas da escola, ela me arrastou para trás de uma pilha de mesas e cadeiras quebradas. Antes que eu novamente pudesse pedir explicações ela me beijou, ao contrario do primeiro beijo, este foi um beijo ardente, demorado.
Ela então segurou a minha mão e a pôs em seu seio por cima da blusa, eu quase fiquei sem reação, mas o instinto de macho foi maior! Não pude conter-me. E entre os beijos e “mãos bobas” Sabrina sussurrou em meu ouvido:
-Eu quero você!
Aquilo correu meu corpo de tal forma que não pude conter minha excitação, perceptível a olho nu mesmo ele estando debaixo de minhas calças.
Não vou entrar em detalhes da minha primeira relação sexual, teve alguns probleminhas devido a nossa divergência de tamanho, mas isso foi desprezado com o uso de minha criatividade. O lugar também não era nem um hotel cinco estrelas, mas eu também quase não percebi isso, sem falar que ao contrario de mim ela sabia exatamente o que estava fazendo. Foi algo que jamais esquecerei. Nunca imaginei que seria tão prazeroso... Agora entendo perfeitamente porque os homens tanto correm atrás disso.
Terminamos e eu já não sabia exatamente o que sentia, um turbilhão de emoções se misturava de uma única maneira. Mas uma coisa que eu não queria ouvir agora eram explicações, queria apenas continuar ali. O que não foi possível, devido ao horário e o local, voltamos à escadaria.
Percebi agora que o rosto dela estava corado, mas não comentei nada. Ficamos calados ali por bastante tempo. Em seguida o ultimo horário terminou com o soar da sirene e logo estaríamos fora da escola.
-Talles, eu sou lésbica.
Falar pra que?
Se imagine no meu lugar... O que você faria? Pára um pouco de ler esse texto e reflita cinco minutinhos sobre a situação e como você reagiria. Como se sentiria se a garota que você estivesse apaixonado dissesse logo depois de beijá-lo que era lésbica? E aí? O que você faria? O que sentiria?
Eu não sei você, mas eu... Fiquei mudo. Ri com o canto da boca e ainda meio atordoado pelo momento e soltei palavras sem querer:
-Você tá de brincadeira?
-Não. O nome dela é Sarah, namoramos há seis meses.
Fiquei mudo. Ela pôs a mão no bolso, puxou uma foto e me deu.
A foto era dela beijando uma outra garota, morena dos cabelos lisos, usava óculos e parecia ser bem mais velha que eu e Sabrina. Olhei o verso da fotografia, tinha um recadinho: “Do fundo do meu coração, para perto do meu corpo... Te amo eternamente”.
Eu não acreditava no que ouvia ou no que via. Meu olhar era de quem tinha lido pela primeira vez a origem do Wolverine, ou de uma criança quando descobre pra que serve seu órgão genital além de fazer xixi.
Sabrinha tentou explicar:
- É por isso que não te contei antes! Agora você vai começar a me tratar como um monstro... Sem falar que eu achava que você já sabia. A forma com que você me tratava, nenhum garoto trata uma garota assim. Pelo menos nenhum garoto que conheci...
De repente me recobrei a consciência e esclareci já elevando a voz, exaltado:
-Essa cara não é porque você é lésbica! É a cara de quem leva um beijo e logo em seguida descobre que a garota que ele acabou de beijar já tem namorada...!
-Então você não liga? –Sabrina surpreendeu-se.
-Claro que não. –respondi com sinceridade, não me importava com o fato dela não gostar de meninos, mas sim com o fato de saber que ela não gostava de mim!
Perguntei em voz baixa com um sentimento estranho de vazio:
-Por que me beijou?
-Sei lá... Achei que levantaria sua alto estima.
-Só por isso...? –Minha voz saiu bem suave, e quase inaudível, mas ela percebeu com clareza o que eu quis dizer. Demorou a responder, como se não tivesse o que falar, situação que presenciei pela primeira vez ao lado dela, ela sempre tinha algo a dizer.
-Não, não foi só por isso.
De repente a tal lésbica me puxou pelo braço, subimos à escada. Até onde ficava o depósito de coisas velhas da escola, ela me arrastou para trás de uma pilha de mesas e cadeiras quebradas. Antes que eu novamente pudesse pedir explicações ela me beijou, ao contrario do primeiro beijo, este foi um beijo ardente, demorado.
Ela então segurou a minha mão e a pôs em seu seio por cima da blusa, eu quase fiquei sem reação, mas o instinto de macho foi maior! Não pude conter-me. E entre os beijos e “mãos bobas” Sabrina sussurrou em meu ouvido:
-Eu quero você!
Aquilo correu meu corpo de tal forma que não pude conter minha excitação, perceptível a olho nu mesmo ele estando debaixo de minhas calças.
Não vou entrar em detalhes da minha primeira relação sexual, teve alguns probleminhas devido a nossa divergência de tamanho, mas isso foi desprezado com o uso de minha criatividade. O lugar também não era nem um hotel cinco estrelas, mas eu também quase não percebi isso, sem falar que ao contrario de mim ela sabia exatamente o que estava fazendo. Foi algo que jamais esquecerei. Nunca imaginei que seria tão prazeroso... Agora entendo perfeitamente porque os homens tanto correm atrás disso.
Terminamos e eu já não sabia exatamente o que sentia, um turbilhão de emoções se misturava de uma única maneira. Mas uma coisa que eu não queria ouvir agora eram explicações, queria apenas continuar ali. O que não foi possível, devido ao horário e o local, voltamos à escadaria.
Percebi agora que o rosto dela estava corado, mas não comentei nada. Ficamos calados ali por bastante tempo. Em seguida o ultimo horário terminou com o soar da sirene e logo estaríamos fora da escola.
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