-Guardanapo? A senhora se ganha por muito pouco. –fiquei curioso, dona Isa explicou:
-Pois é... Seu pai sempre foi criativo. No nosso primeiro encontro fomos ao cinema e depois ele me levou em uma lanchonete, e quando estávamos pra ir embora seu pai desenhou no guardanapo dois bonequinhos bem bonitinhos, um era eu e o outro era ele, em cima de cada desenho ele pôs uma balão de fala, o dele tinha escrito: “Me dá um beijo?”, e o meu estava vazio, esperando uma resposta. Foi tão meigo, eu não resisti!
-Mas que coisa besta!
Ela ficou brava com meu insulto:
-Pelo menos antes tinha que rolar toda uma trama pra haver um relacionamento, mas hoje o pessoal nem conversa mais, é uma sem-vergonhice só!
-Se é tão bom assim, por que você e o papai não estão juntos agora?
-Porque ele caiu nessa sem-vergonhice! Aquele safado!
-Se a senhora diz...
-Não mude de assunto! Estamos falando do senhor. –mudando totalmente a feição de raiva para sonhadora - Por que não liga pra ela e da um bom dia...? Mulheres adoram isso.
-As coisas não são tão simples.
-E por quê?
-É uma historia longa... Mas vou aceitar seu conselho, vou ligar sim.
-Aposto como você vai me agradecer depois.
Saí da mesa e fui até o telefone, levei para o meu quarto.
Pra quem eu ligo primeiro? Pra Sabrina ou Lílian?
Se eu ligar pra Sabrina o que vou dizer a ela? “Oi, e aí? Como você tá?”. Que tosco. Ligar pra dizer oi é a coisa mais chata do mundo, e se de repente eu ligo e estiver ocupada? Vai ser bem sem graça... Mas acho que eu devia ligar, depois do que rolou... Se eu não ligar fica meio insensível da minha parte, isso sempre pesa para os homens.
Vou ligar pra ela primeiro, a Lílian pode esperar, nós nos veremos hoje a tarde mesmo.
O mais incrível é que quando estamos ansiosos, cada chamada do telefone parece uma eternidade, aqueles “tuuuuuuu...” matam qualquer um dos nervos.
-Alô? –uma voz feminina atendeu.
-Oi, Sabrina?
-Não, aqui é a Sarah, a Sabrina está na cozinha, eu vou chamar, quem é que está falando?
Quando ela disse o nome dela, foi como se eu tivesse engolido um quilo de areia, minha garganta secou na hora. Lembro perfeitamente daquele nome! Sarah é a namorada de Sabrina... Já tinha até me esquecido desse detalhe, e agora? O que faço?
Devo me comportar naturalmente.
-Alô? Ainda ta aí? – a moça não entendeu meu silêncio.
-É... Diz que é um amigo de escola, o Talles.
-Talles?
-É.
-O famoso Talles?
Nessa hora eu gelei e quase gaguejei:
-Famoso...?
-Sabrina disse que você é o melhor amigo dela. Um cara super bacana... Ela me falou bastante de você.
-Aposto como ela exagerou um pouco... –eu estava totalmente sem jeito, sorte a minha o telefone ainda não ter câmera.
-Aposto que não. Espera um momento, já vou chamá-la.
-Tá certo.
A voz dela é extremamente calma e confortante, perfeitamente cabível ao rosto daquela foto que Sabrina me mostrou.
Meu coração já batia acelerado, um tempinho depois Sabrina atendeu:
-Oi?
-Oi Sabrina... Como ta?
-Eu estou bem. Por quê?
-Por nada, só liguei pra te dar um bom dia e perturbar mesmo.
-Obrigada. Você nunca fez isso...
-Tem muita coisa que eu ainda não fiz.
Não sei exatamente porque mas esta frase teve quase um duplo sentido, que causou uma situação desconfortável entre nós dois.
Percebendo que estava levando as coisas da forma errada, decidi encerrar a conversa:
-Então ta, né?! Bom dia pra você... A gente se vê na segunda.
-Ta bom, obrigada por ligar, faz isso mais vezes...
-Ta certo...
-Tchau.
-Tchau...
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
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