Ela voltou a sala, e eu fui pro banheiro. Tinha algo errado comigo... Mas eu não sabia dizer exatamente o que. Era um grotesco arrependimento que me ardia o peito e pesava a cabeça...
Porque eu estou fazendo aquilo com a Sabrina? Ela não merece isso!
Eu sei que ela gosta de mim. Eu sei! Eu sou mesmo um cara odioso... Deixei que meus hormônios falassem por mim. Parei de pensar com a cabeça de cima.
Olhei pro espelho e vi meu reflexo... Aquilo me torturou de tal forma, que não podia mais ficar ali com a Lílian. E o pior é que eu não posso simplesmente chegar e assisti o filme enquanto ela está pegado fogo... O que eu vou fazer? O que?!
Ir embora?! Não... Seria a pior coisa que eu poderia fazer.
Voltar a sala?! E o que dizer?
“Desculpa Lílian, mas eu acabei de ter um surto de consciência e não posso ficar aqui, e tudo porque eu gosto da Sabrina!”.
Essa desculpa acabaria com nosso relacionamento... O que foi que eu fiz?!
Por que eu não vou lá e faço o que tenho que fazer? Vou lá e faço o que não pude fazer meses atrás, mostro como posso deixá-la louca de prazer!
Por que eu estou agindo como um idiota?
-Você ta apaixonado... Eu tenho certeza.
Essa frase veio detrás de mim, olhei pelo grande espelho para ver quem foi seu autor. Um rapaz alto, de cabelos castanhos lisos que tocavam os ombros, jaqueta de couro e um sorriso vagaroso no rosto.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa ele fez outro comentário:
-Esse seu olhar diz tudo... Ah, cara... Você perdeu. Ela ganhou. Nada que você faça vai mudar isso.
Virei-me para encará-lo de frente, sorri triste e respondi:
-Você tem razão... Eu perdi.
-E aí?! Vai fazer o quê? –ele perguntou com uma naturalidade sobrenatural, como se já me conhecesse, e eu não sei porque, talvez pelo fragilidade do momento, mas continuei a conversa:
-Não sei... Estou com uma garota quando gosto de outra, mas não quero machucar a primeira.
-E por que ta com ela se gosta da outra?
-Percebi agora de quem realmente gosto.
Ele levantou a sobrancelha esquerda, suspirou e disse:
-Joga ela na minha.
-O quê?! –Eu fingi não ter entendido, ele explicou:
-Me apresenta pra ela. Talvez eu possa fazer algo.
Quando entendi a idéia dele fiquei horrorizado:
-Você quer que eu te entregue ela assim de bandeja? Que tipo de cara eu seria se fizesse isso? E eu nem te conheço. –ele fez cara de coitado:
-É verdade... Tudo bem, desculpa... Onde eu tava com a cabeça?!
O cara saiu do banheiro. E de repente eu vi a minha resolução do problema ali... Indo embora. A única coisa que pensei foi: “vou me arrepender disso!”.
Corri atrás dele, e o chamei, ele parou, se virou para mim e estendeu o braço me cumprimentando:
-Prazer, sou o Orlando.
-Meu nome é Talles. E você vai ser meu amigo de infância que por acaso reencontrei no banheiro, tem que bancar aquele amigo chato, sentar entre nós dois... Essa coisa toda. Mas se você passar dos limites eu quebro sua cara.
Nesta ultima frase fui bastante intimidador, do tipo que nunca fui, mas quando se mexe com gente de quem gostamos as coisas mudam.
Ele disse a ultima coisa antes de me abraçar, como se fossemos os melhores amigos:
-Relaxa... Não vou fazer nada demais.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
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