terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Coisas que acontecem, pt 09.

-Da seleção de vôlei.
-Da deleção?
-É... E o mais incrível é que ela gosta de matemática.
-Incrível mesmo. –Dessa vez ela ficou sem nenhuma expressão no rosto, como se tivesse ficando entediada. Só agora havia me dado conta que estava fazendo besteira! Não podia sair dizendo pra uma, como a outra é tão inteligente, tão importante... Eu sou muito burro!
Tenho que reverter isso de alguma forma, tenho que exaltá-la também, tenho que deixá-la no mesmo nível que a Sabrina, mas não pode ser algo muito descarado, tem que ser indiretamente... Algo que ela perceba inconscientemente.
Mas como diabos eu vou fazer isso?!
Tenho que pensar rápido...
Hum! Já sei! Puxo uma conversa com ela e no meio dessa conversa eu vou pondo as qualidades dela, de forma bem discreta. Agora é só eu achar um assunto:
-Sabe de uma coisa que sinto muito a falta?
-O quê? – o rosto dela ainda parecia vazio, e nenhuma curiosidade era visível.
-Das nossas sextas do cinema trash lá em casa. –respondi com certa animação.
-Eram bem legais. –o rosto dela mudou para um leve sorriso, desses de recordações boas. Eu continuei o plano:
-Assistir aqueles filmes toscos de terror em que gargalhávamos com as cenas malfeitas...
-E quando colocávamos a dublagem do filme em árabe e sem legendas... Aí ficávamos dublando os personagens! Inventando “estorinhas nada ver” por cima da estória do filme. –Lílian já estava totalmente entusiasmada na conversa.
-E algumas ainda davam certo! Você é a melhor, conseguia até sincronizar o movimento da boca. –De repente ela mencionou:
-Tenho uma curiosidade.
-Qual? –perguntei curioso, e ela respondeu cochichando ao meu ouvido:
-Terminamos de assistir algum daqueles filmes?
Recordei porque ela fez esta pergunta, sempre que marcávamos a sexta do cinema trash assistimos só a metade do filme, pois sempre terminávamos nos agarrando.


-Eu acho que não. Lembro que mamãe ficava de vigiar a gente, mas sempre dormia. Vou contar um segredo a você...
-Conta... –agora ela estava totalmente envolvida em nossa conversa e se mostrava inteiramente curiosa, meu plano tinha dado certo apesar de não ter feito muita coisa. Contei o segredo no ouvido dela:
-No dia em que assistimos Zé do caixão eu pus sonífero no café dela.
-Você fez isso?! Foi por isso que ela estava com um sono tão profundo. –Lílian respondeu surpresa, mas ainda com um sorriso no rosto como se aprovasse minha ação. Comentei:
-Aquela foi nossa melhor noite... –ela mordeu delicadamente o lábio inferior como se revivesse o momento:
-Você foi muito malvado naquele dia.
-Eu poderia ter sido bem mais se estivéssemos totalmente a sós.
Ela suspirou forte, e novamente cochichou no meu ouvido:
-Que tal escolher um filme bem ruim? Desses que ninguém vai assisti.
-Pra ficarmos sós, eu acho perfeito. –respondi olhando fundo nos olhos dela, apenas uma distancia de um beijo separava a minha boca a dela.
Falando de fazer a coisa certa
O clima esquentou bastante e eu não via a hora de entrar naquela sala de cinema quase vazia... Minha imaginação fluía como uma bola de sabão em um banho de espumas.
Logo estávamos na sala escura, e nem deu tempo dos traillers terminarem e já estávamos em beijos e amassos, de repente ela parou e disse:
-Me espera, eu vou ao banheiro e já volto.
Lílian se levantou e saiu um tanto apressada. Só agora olhei pro telona e descobri que filme estava passando, é uma dessas comedias românticas, começava com o cara chegando em casa depois de ser despedido.
Ele encontrava a mulher dele fazendo sexo com outro.
E ele não fazia nada, só ficava olhando.
Aquilo me correu as veias, e eu não sei direito o que senti, apenas me levantei e também sai da sala, encontrei Lílian voltando:
-O que foi?
-Também vou ao banheiro, não demoro.
-Ta bem.

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