terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Coisas que acontecem, pt 05.

Quando terminou, ela olhou pra mim e disse:
-Talles, eu sou lésbica.
Falar pra que?
Se imagine no meu lugar... O que você faria? Pára um pouco de ler esse texto e reflita cinco minutinhos sobre a situação e como você reagiria. Como se sentiria se a garota que você estivesse apaixonado dissesse logo depois de beijá-lo que era lésbica? E aí? O que você faria? O que sentiria?
Eu não sei você, mas eu... Fiquei mudo. Ri com o canto da boca e ainda meio atordoado pelo momento e soltei palavras sem querer:
-Você tá de brincadeira?
-Não. O nome dela é Sarah, namoramos há seis meses.
Fiquei mudo. Ela pôs a mão no bolso, puxou uma foto e me deu.
A foto era dela beijando uma outra garota, morena dos cabelos lisos, usava óculos e parecia ser bem mais velha que eu e Sabrina. Olhei o verso da fotografia, tinha um recadinho: “Do fundo do meu coração, para perto do meu corpo... Te amo eternamente”.
Eu não acreditava no que ouvia ou no que via. Meu olhar era de quem tinha lido pela primeira vez a origem do Wolverine, ou de uma criança quando descobre pra que serve seu órgão genital além de fazer xixi.
Sabrinha tentou explicar:
- É por isso que não te contei antes! Agora você vai começar a me tratar como um monstro... Sem falar que eu achava que você já sabia. A forma com que você me tratava, nenhum garoto trata uma garota assim. Pelo menos nenhum garoto que conheci...
De repente me recobrei a consciência e esclareci já elevando a voz, exaltado:
-Essa cara não é porque você é lésbica! É a cara de quem leva um beijo e logo em seguida descobre que a garota que ele acabou de beijar já tem namorada...!
-Então você não liga? –Sabrina surpreendeu-se.
-Claro que não. –respondi com sinceridade, não me importava com o fato dela não gostar de meninos, mas sim com o fato de saber que ela não gostava de mim!
Perguntei em voz baixa com um sentimento estranho de vazio:
-Por que me beijou?
-Sei lá... Achei que levantaria sua alto estima.


-Só por isso...? –Minha voz saiu bem suave, e quase inaudível, mas ela percebeu com clareza o que eu quis dizer. Demorou a responder, como se não tivesse o que falar, situação que presenciei pela primeira vez ao lado dela, ela sempre tinha algo a dizer.
-Não, não foi só por isso.
De repente a tal lésbica me puxou pelo braço, subimos à escada. Até onde ficava o depósito de coisas velhas da escola, ela me arrastou para trás de uma pilha de mesas e cadeiras quebradas. Antes que eu novamente pudesse pedir explicações ela me beijou, ao contrario do primeiro beijo, este foi um beijo ardente, demorado.
Ela então segurou a minha mão e a pôs em seu seio por cima da blusa, eu quase fiquei sem reação, mas o instinto de macho foi maior! Não pude conter-me. E entre os beijos e “mãos bobas” Sabrina sussurrou em meu ouvido:
-Eu quero você!
Aquilo correu meu corpo de tal forma que não pude conter minha excitação, perceptível a olho nu mesmo ele estando debaixo de minhas calças.
Não vou entrar em detalhes da minha primeira relação sexual, teve alguns probleminhas devido a nossa divergência de tamanho, mas isso foi desprezado com o uso de minha criatividade. O lugar também não era nem um hotel cinco estrelas, mas eu também quase não percebi isso, sem falar que ao contrario de mim ela sabia exatamente o que estava fazendo. Foi algo que jamais esquecerei. Nunca imaginei que seria tão prazeroso... Agora entendo perfeitamente porque os homens tanto correm atrás disso.
Terminamos e eu já não sabia exatamente o que sentia, um turbilhão de emoções se misturava de uma única maneira. Mas uma coisa que eu não queria ouvir agora eram explicações, queria apenas continuar ali. O que não foi possível, devido ao horário e o local, voltamos à escadaria.
Percebi agora que o rosto dela estava corado, mas não comentei nada. Ficamos calados ali por bastante tempo. Em seguida o ultimo horário terminou com o soar da sirene e logo estaríamos fora da escola.

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