quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Coisas que acontecem, pt 17. (- Final -)

Pisquei os olhos algumas vezes, por causa do sangue que escorria da minha testa e cobria meus olhos, acabei não entendendo o que aconteceu em seguida.
Primeiro vi André com a arma apontada em direção de Orlando, em seguida ouvi um grito e um tiro.
Logo depois estava os dois no chão, e Karina em pé ao lado de André, chorando em soluços.
Demorei pra entender que ela havia esfaqueado André, mas mesmo assim ele atirou em Orlando. A arma estava em um canto, e faca ainda estava cravada na costela de André, ela logo correu pra socorrer o irmão.
Não imagine o alivio que tive ao ouvir Orlando praguejar:
-Desgraçado! Acertou meu braço!

Falando de vitórias

Caramba. Nunca imaginei que uma coisa dessas fossem acontecer comigo. Logo eu, o tão monotono Talles. Minha vida de repente tinha ficado tão agitada.
Primeiro me apaixonei por uma lesbica... E agora estou no hospital com a cara toda costurada e o olho roxo por brigar com uma gangue de malucos.
Minha mãe conversava com os medicos, enquanto eu esperava junto a Karina e Lilian saber alguma noticia de Orlando que havia levado um tiro.
Lilian mantinha extremos cuidados comigo, ela parecia muito assustada com tudo, tentei confortá-la com palavras, repetindo que iria ficar tudo bem, mas ela sempre respondia parecendo nao ter nenhuma convicção no que dizia.
-É, eu sei... - e isso me deixava mais nervoso.
Karina agora estava muito mais tranqüila, e tirava um doce cochilo sentada ao nosso lado.
Foi quando percebi que deveria contar a verdade sobre eu e Orlando para Lilian, ja que uma hora ou outra isso iria acontecer.
-Lilian, tenho algo pra contar muito importante.
Quando terminei a frase tive a impressão que sua atenção sobre mim ficou ainda maior, esperou eu contar:
-Eu e o Orlando não somos primos. Eu conheci naquele dia no cinema, assim como voce.
Eu pedi para que ele me acompanhasse porque não queria que nada acontecesse entre nós dois. Me desculpa... Eu... Sou um idiota.


-Esse tempo todo. Eu soube que te amo. Eu quis esconder isso de mim mesmo... Mas é um negocio muito dificil... Você faz coisas que eu nunca vou esquecer... E não falo da gente ter feito amor em uma sala de equipamenstos da escola. Falo de pequeno gestos... Do seu olhar de sono ao me ver contar uma estoria sobre ursos polares e como eles hibernam. Da forma como você come aquelas batinhas... Sempre escolhendo as menores primeiro... Da sua voz calma ao me dar bom dia... e principalmente do seu beijo, delicado e profundo.
Isso tudo só me fez perceber, que não conseguiria ser feliz sem você ao meu lado. Que cada instante da minha vida, só tem sentido, só tem graça... Porque sei, que mais um dia eu irei te ver, mais um dia sentirei seu perfume... Vai ser mais um dia em minha vida. Mas eu tenho certeza que vai ser mais um dia perfeito, porque você estará nele.
Sabrina, eu te amo. E quero uma reposta sua agora. Não quero te dividir com nimguem.
De repente daquela feição neutra, uma lagrima escorreu discretamente.
Houve dois segundos sem nada acontecer. Dois segundos que demoraram milhares de pensamentos pra passar.
Logo ela veio me abraçar... E me beijou. Eu me sentia como se estivesse no céu agora, o tempo parecia parado.
Foi quando uma voz familiar nos jogou de volta a realidade:
-Sabrina...? -era Sarah, estava logo atras da gente.
-Sarah... Eu... Eu... -Sabrina falhou um pouco nas palavras, mas depois frimou sua opinião:
-Amo o Talles.
Sarah não entendeu o que stava acontecendo:
-Por quê?
Houve um certo silencio... dessa pergunta, até eu queria saber a resposta, Sabrina logo se pôs a responder:
-Eu não sinto de você o que sinto dele. O espirito dele me conforta, ele pode ser um garoto bem chato as vezes, mas... Tudo que ele faz, me agrada. Tudo. E agora sei que ele vale a pena...
Sarah mordeu o labio inferior e disse uma ultima coisa antes de ir embora:
-Está bem. Quem sou eu pra acabar com isso...?


Olhei pra Sabrina e pude perceber o quanto tinha sido dificil pra ela toda essa situação, então pra amenizar, pedi:
-Acho que vocês duas devem conversar... Vai lá e fala com ela. Depois a gente se encontra.
-Esta bem.
Sabrina concordou e foi atrás de Sarah. Era hora de dar tempo pras coisas se resolverem aos poucos.

Falando do fim

A vida é engraçada. Coisas acontecem... O tempo passa.
As vezes tudo parece diferente mesmo nada tendo mudado. As vezes tudo parece igual, mesmo sua vida tendo radicalmente se transformado.
As vezes sorrimos e choramos com motivos que nos convem. Mais há grande possibilidade desse motivo ser o amor.
O amor é tão dificil de explicar em sua simples complexidade.
E por isso nem sempre tudo acaba bem como tem de terminar...
Por isso decidi terminar a estoria aqui, pra manter um final feliz.
Quem sabe em uma proxima oportunidade eu conte como eu e Sabrina terminamos... Ou como Lilian acabou ficando com o Orlando...
Porque a vida é assim, feita de simples COISAS QUE ACONTECEM.

Coisas que acontecem, pt 16.

Ele respondeu fazendo a moto acelerar "rabiando" ao mesmo tempo que o pneu produzia seu agudo som quando entrava em atrito com o chão.
E como previsto encontramos mais gente da gangue, e justamente aqueles que nos perseguia a pouco. E o pior é que Orlando morava em um bairro "barra-pesada" que nem a policia entrava, as ruas eram estreitas, e as casas mal organizadas... Mas Orlando se mostrou ser um otimo pilto.
E conseguimos chegar a casa dele sem que nos alcassassem a tempo. E quando chegamos avistamos mais dois caras tentando arrombar a porta.
Não sei exatamente o que deu em mim, mas assim que nos aproximamos pulei pra cima de um deles. E por incrivel que pareça o derrubei, acertei atras de seu pescoço com as duas mãos. O outro se virou para gente e puxou uma faca.
Mais Orlando foi esperto suficiente e empinou a moto, fazendo o pneu da frente acertar o rosto do marginal. O cara caíu deixando escapulir a faca, foi quando eu subi em cima dele e acertei mais alguns socos, até cara ficar incosciente.
É incrivel o que a gente pode fazer no momento de euforia. Orlando abriu a porta e entramos, ele começou a chamar pela sua irmã:
-Karina! Cadê voce? temos que sair daqui!
A encontramos trancada no banheiro, toda encolhida wm um canto e cheia de lagrimas nos olhos.
Era uma garota bonita de quinze ou dezesseis anos, magra com cabelos encaracolados. Quando viu Orlando correu para abraçá-lo, e começou a falar em prantos:
-O que está acontecendo? Eu estou com tanto medo.
-Não dá pra explicar, temos que sair daqui o mais rápido possivel.

Quando me dei conta estava no chão com uma puta dor nas costas, alguém havia me acertado. Procurei e vi dois caras, um estava com um porrete na mão, enquanto o outro tinha uma corrente presa ao braço, e a outra ponta arrastando no chão. O da corrente sorriu e disse maliciosamente:
-Achou que iria fugir de mim?


Levantei, me afastando deles, Orlando estava muito surpreso. Aquele devia ser o tal André, pra mim ele parecia um playboy revoltado. Orlando tentou negociar:
-A moto está la fora, pode levar e nos deixe em paz.
-Você acha que é tão simples assim? -ele começou a sacudir a corrente de um lado a outro, brincando, e continuou a falar:
-Vamos fazer o seguinte, você me empresta essa sua irmã sem reação nenhuma e talvez eu te deixe ir embora vivo.
-Nunca! -Orlando gritou. André riu mais uma vez, e concluiu:
-Se é assim... Vai ser do jeito mais dificil.
Ele então se armou para briga, enquanto ordenava a seu colega:
-Não machuque muito a garota, a gente pode se divertir muito com ela!
Os dois avançaram pra cima de Carlos, e rapidamente começaram a açoitá-lo, enquanto sua irmã Karina gritava em desespero. Ainda com enorme dor fui pra cima de André, e antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, sua corrente acertou meu rosto, cambaleei para trás com a pancada, enquanto ele ria:
-Não se intrometa.
Foi neste momento que vi um jarro de porcelana, daí em diante tudo aconteceu em camera lenta:
Arremessei o jarro pra cima de André, o jarro espatifou em sua cabeça, e logo eu já tinha acertado vários socos em seu rosto. E só parei quando o parceiro dele me acertou violentamente com o porrete nas costas, cai para o lado.
Ele já iria me acertar uma segunda vez quando Orlando acertou-lhe um chute entre as pernas, tomou o seu porrete e o derrubou com tal furia, que apesar de estar tonto, pude ver alguns dentes espirrando da boca do pobre homem. Tombou como um animal abatido pelo caçador.
André se levantou, agora estava os dois frente-a-frente, Orlando e ele.
Se encararam, seus rostos deformados pelas pancadas, o sangue enfeitava partes de seus corpos...
-Maldito! - gritou André puxando uma arma da cintura e apontando pra Orlando que ficou imovel. E eu senti que naquele momento tudo estaria acabado, meu coração quase parou, fiquei sem folego.

Coisas que acontecem, pt 15.

Ele coçou a cabeça, suspirou, olhou para um lado e outro, suspirou mais uma vez e então disse:
-Ta bem. Eu vou contar...
Ficamos atentos ao ouvir, ele explicava:
-Eu fiz uma besteira. Peguei umas coisas de um cara aí... Agora ele está atras de mim.
-Que coisas? Que cara? -Lilian insistia, e ele teve de explicar todos so detalhes:
-Eu tinha uma velha moto. Dada pelo meu avô... Era uma moto perfeita, em todos os detalhes. Aí, esse cara, o nome dele é André, apostou um pega comigo... O premio seria a moto que o outro estivesse correndo. Eu ganhei. Mas o safado não quis me dar a moto dele, e ainda por cima roubou a minha com a gangue dele.
É claro que nao sou cara de deixar as coisas baratas assim. Fui lá... E roubei a moto dele. Agora ele ta me caçando.
Lilian pareceu ter se fascinada com a "historia", e perguntou assim que ele fechou a boca.
-Como podemos te ajudar? -Ele respondeu:
-De um lugar pra ficar por enquanto.
-Cara, você não ta mentindo, não, né? Se voce tiver mentindo, te garanto que posso ser pior que esse tal de André.
Questionei amargamente, mas ele praticamente debochou de mim:
-Por que eu iria mentir pro meu primo querido?
-Nós precisamos ajudá-lo! -Lilian estava totalmente convencida que ele tinha razão.
-Não sei se minha mãe vai concordar com a ideia... -argumentei, Lilian propôs outra coisa:
-Ele pode ficar lá em casa.
-É, isso! Posso ficar na casa dela!
-Claro que não! -Tentava impor decisões, mas as coisas estavam dificeis.
-Por que ele não pode ficar lá em casa? -Lilian me questionou brava. Eu respondi ainda raciocinando em uma resposta:
-Onde ja se viu... Voce mal conhece o cara. Não dá, né?!
-Você está com ciúmes Talles?
-Ciúmes? Ta louca?
-Não acredito. Voce está com ciumes! -ela afirmou de tal forma que eu quase acreditei.
-Se não é ciúmes é o que?
-Eu só quero dizer, que talvez, não seja uma boa ideia.
-Por que não? -os dois fizeram um couro. Gritei de raiva:
-Ele fica na minha casa, esta bem?! -lá se vai a minha opinião.


Ela ficou calada, como se concordasse com a ideia. Orlando apenas disse:
-Ta certo, só tenho que ir até minha casa pegar umas coisas.
-Nós vamos com voce! -Lilian se mantinha empolgada. Mas a repreendi:
-Claro que não. Pode ser perigoso. O primeiro lugar que esses caras devem estar te esperando é na sua casa.
-Isso é verdade. Mas é um risco que tenho que correr. -Orlando disse, e Lilian impôs:
-Talles você vai com ele.
-Por quê?
-Porque voce mesmo disse que é perigoso.
-Ta bom. Mas você tem que ir pra casa, se nao eu não vou.
Lilian concordou, e logo ela estava de saida, e assim eu e Orlando fomos até sua casa.



Orlando não morava muito longe dali, mas apesar disso fomos na moto que supostamente ele havia roubado. Que cá entre nós, era uma moto muito louca! Parecia com aquelas que correm no "motoGp" com aqueles pilotos e seus macacões coloridos.
Mas foi tarde demais que percebi que não havia sido uma boa idéia, reconheceram a moto no caminho e a tal gangue começou a nos perseguir. Orlando avisou:
-Vou tentar despistá-los. As motos deles não conseguem acompanhar essa belezinha!
O problema maior era que estavamos praticamente no centro da cidade, as ruas eram estupidamente movimentadas. Ele realmente teria que ser um ótimo piloto, ou nós dois estavamos ferrados.
Olhei pra trás e vi tres motocicletas, e em uma delas havia dois caras, um pilotando e outro com uma ripa de madeira na mão. Aquilo fez meu coração acelerar de tal forma, que nem pensar direito eu conseguia.
Atravessavámos avenidas a mais de 120 por hora, entravamos em contra-mão, curvas que faziam meu joelho tocar o asfalto...
Orlando tinha razão, as motos deles não eram suficientemente potentes, e não conseguiram se manter no ritmo. Logo despistamos os nossos perseguidores, mas agora estavámos longe demais da casa de "meu primo". Perguntei nao sabendo o que fazer:
-E agora? Se voltarmos para sua casa ele provavelmente nos encontrarão... O que faremos?
-Não sei... Posso tentar ir por um outro caminho... Mas vai ser tão perigoso quanto antes.
-Afinal o que você tem de tão importante na sua casa?
De repente ele ficou sério, como nunca tinha visto. E respondeu com uma voz preocupado:
-Uma irmã.
Nessa hora levei um susto! Com assim uma irmã? Porque ele não falaou, antes? Ela provavelmente deve esta em perigo!
Neste momento percebi a gravidade do problema, e apenas ordenei:
-Acelera pra sua casa.