quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Coisas que acontecem, pt 14.

Então se passou uma semana e as coisas andavam bem, na medida do possivel. Sempre que podiamos, Sabrina e eu procuravamos um tempo só pra gente, mas ela continuava namorando Sarah.
Quanto a Lilian, não conversamos desde o incidente, a verdade é que eu não consegui mais encará-la. Comecei a evitar nossos encontros na escola... E em todos os lugares que iamos.
As aulas terminaram e estou saindo sozinho, pois Priscila hoje está doente. Marquei de visitá-la mais tarde.
De repente lá vem Lilian em minha direção. Puts! Agora não vai dar pra fugir. É melhor eu preparar uma boa desculpa.
-Talles, eu preciso falar com você.
Ela nem ao menos esperou até chegar a uma distancia em que só eu ouvisse sua frase, como se estivesse com medo de que fugisse.
Parei e esperei ela se aproximar. Depois perguntei com um sorriso amarelo:
-Como vai?
Ela também respondeu sem jeito:
-Eu vou bem... Mas tenho algo importante pra te dizer.
-Se é sobre aquele dia, eu queria muito te pedir desculpas, eu fui um completo idiota.
-Não, não... Eu é que tenho que pedir desculpas. Fui muito tola. Nao quis ouvir o que voce tinha pra dizer... Você me desculpa?
-Voce não precisa se desculpar... Lilian... –peguei sua mão e olhei fundo nos olhos dela enquanto explicava:
-Você é uma garota pefeita. Aposto como qualquer garoto desta escola gostaria de ter o dia que tive com você no cinema. O problema é que... Você até deve entender... A gente não se apaixona por quem escolhe. Definitivamente não. E no momento eu estou apaixonado por outra garota...
-Oh, Talles... Você é um amor. Eu só não queria perder aquela nossa amizade por uma bobagem. Prezo tanto ela.
-Não se preocupe! Nós sempre seremos amigos! Quer me acompanhar até em casa?
-É claro. –ela sorriu alegremente ao responder.
Então seguimos nosso caminho.
Interessante como as coisas se desenrolaram tão facilmente, em minha vida isso significa um péssimo sinal. Alguma coisa de ruim iria acontecer... Foi exatamente quando:


Algo inesperado aconteceu, de repente o celular dela tocou, Lilian atendeu:
-Alô?
Conversou um pouco no celular e começou a olhar pra mim enquanto ouvia, como se fosse algo sério. Fiquei curioso, mas esperei ela desligar pra perguntar:
-Algo sério?
-Seu primo Orlando.
-Quem?
-Orlando, seu primo.
-O do cinema?
-É.
-Ah, ta... E o que ele queria?
-Disse que ta com problemas... E que era pra eu te avisar, vocês devem se encontrar na ponte do parque as seis.
-Que tipo de probelma?
-Ele não disse mas pareceu muito preocupado.
Agora quem estava preocupado era eu. O que este louco queria comigo? Será que realmente devo ir lá... Acho melhor não. Não deve ser nada tao importante. Sem faalr que eu nem conheço o cara.
-Você vai, né? -Lilian perguntou ao me ver refletir. Entao tentei explicar:
-Não sei não... A gente nunca foi tão intimo assim.
-Você está sendo egoísta!
-Mas...
-Mas, nada! Você vai! E eu vou com voce!
-Como assim?!
-Nós dois vamos ver do que seu primo ta precisando e vamos ajudá-lo!
-Acho que nao é uma boa idéia.
-Cala boca e anda.
Então ela me arrastou até o parque, porque faltava mais ou menos uma hora pro momento marcada.
Fiz questão de fazer uma observação que deixei anotado em minha mente: "Eu tinha que aprender a argumentar com as mulheres, isso ja estava ficando meio chato".
Antes ainda passamso em uma lanchonete, e só então fomos para o tal parque botanico. O lugar marcado era em uma ponte que passava por cima de um rio bem raso, ao chegar lá notei a presença de Orlando sob a ponte, o que me estranhou muito, pois parecia que estava se escondendo.
Quando ele nos viu, acenou discretamente.
Fomos de encontro ao meu suposto primo. Quando ele viu Lilian pareceu ter ficado surpreso e bravo:
-O que ela esta fazendo aqui? Era pra voce vir só.
-O que está acontecendo? -Lilian fez questão de explicações. Orlando fez cara feia, como se escondesse algo, e não queria que ela soubesse. Foi quando eu disse, agora me mostrando preocupado:
-Pode falar...

Coisas que acontecem, pt 13.

É incrível como um simples telefonema pode mudar o seu humor. Foi quase como se tivesse descoberto que havia passado no vestibular, ou como se tivesse ganho na loto.
Quando se esta apaixonado se vai do céu ao inferno, com uma simples frase, e depois volta com as mesmas palavras.
Mas de repente uma duvida me correu a mente como um tiro que se leva bem no meio da testa: “por que ela está me convidando pra ir lá?”.
Essa seria a segunda vez que iria a casa de Sabrina, e a primeira eu fui só por causa de trabalho escolar em grupo... Não consigo entender o porque, foi assim tão de repente.
Acho que só vou saber quando chegar lá.

Falar, falando, falou.
De repente estava nervoso.
Encontrava-me a frente da porta da casa de Sabrina com dois sacos de “batatinha chips”, passei antes no supermercado porque sabia que ela gostava. Enfim toquei a campainha.
Passado alguns lentos segundos e a porta se abriu, era ela. Logo que me viu, esboçou um lindo sorriso. E convidou:
-Pode entrar...
Assim que entrei mostrei o presente:
-Eu comprei uns salgadinhos antes de vir pra cá.
-Batatinhas? Adoro batatinhas! Senta no sofá... Quero te apresentar uma pessoa.
Nessa hora eu tremi. Meu corpo enrijeceu. Minha garganta ficou seca. Minha feição pálida.
Não acredito! Ela vai me apresentar a namorada dela! Puta merda!
Me sentei no sofá enquanto ela foi até a cozinha, logo depois estavam de volta as duas. Sabrina e Sarah.
Ela era exatamente como eu imaginava, e como na foto que Sabrina me mostrou no “dia d”. Cabelos longos negros, óculos discreto, tendo seus 26/27 anos, um olhar sereno...


-Essa é a Sarah. –Sabrina apresentou, eu me levantei para cumprimentá-la.
-Prazer em conhecer.
-Você é mais bonito do que eu imaginava. –Sarah brincou, sorrimos e ela explicou:
-Me desculpa, mas vou ter que ir agora. Gostaria de te conhecer melhor senhor Talles, vamos marcar um outro dia, está bem?
-Tá certo. Pode marcar.
Ela se despediu, e foi embora. Sabrina logo perguntou:
-E aí? O que achou dela?
-Parece uma ótima pessoa, e é bem bonita.
Ela fez um olhar de repreensão pra mim e disse se aproximando:
-É mais bonita que eu?
-Bem... –fiquei meios em jeito. Ela se aproximou mais, fazendo com que eu caísse sentado no sofá, ela se abaixou para que ficasse cara a cara comigo e novamente perguntou:
-É mais bonita que eu?
E ao olhar fundo nos olhos dela, as palavras saíram da minha boca sem eu querer:
-Impossível. Você é a garota mais linda do mundo.
Eu nem sie porqeu disse aquilo, coisa mais besta... Mas ao perceber sinceridade em minhas palavras sua feição ficou um pouco surpresa, e então me beijou.
Foi um delicioso beijo, desta vez eu soube desfrutar de cada gesto, cada suspiro...
Logo em seguida estávamos os dois no sofá em um doce “agarra-agarra”. E eu nem queria saber mais de nada.
Era só eu ela. Mais nada. Sem problemas. Sem palvras. Sem receios. Sem timidez.
Apenas o toque. Apenas aquele maravilho cheiro. Apenas seu coração batendo mais forte. Apenas o prazer.

Coisas que acontecem, pt 12.

Ri sem jeito e dei uma golada no suco. Ela só ficou me olhando e nem mesmo tocou na bebida, então novamente começou a me acariciar, desta vez, o rosto.
Eu já estava ficando vermelho.
Rapidamente terminei o suco, e disse fingindo não estar desconfortável a situação:
-Estava delicioso.
Ela então apenas pegou os dois copos e colocou em cima da mesa que ficava ao lado do sofá, tentei me despedir:
-Bem acho que é melhor eu...
Antes que eu terminasse a frase a lingua dela ja estava enfiada em minha boca. Eu fiquei imovel. A unica coisa que tilintava em minha cabeça era: Droga! Droga! Droga!
Logicamente ela percebeu minha falta de vontade, e questionou sentando em meu colo de forma bem suave, impedindo qualquer movimento de fuga:
-O que foi? Te peguei de surpresa?
-É... Foi. –Respondi procurando ar. Ela apenas sorriu, e voltou a me beijar.
Novamente ela percebeu que algo estava errado e perguntou:
-Por que ta tão nervoso?
Tentei explicar:
-Lilian... Eu não sei o que dizer, mas... Eu não posso.
-Como assim não pode?
-Eu... Não quero.
-Não quer? Seu amiguinho aqui embaixo diz o contrario...
-Ele não sabe o que quer.
-E o que ele quer?
-Ele quer... Ah! Isso não importa!
-O que está acontecendo? –Ela parou e me fitou sem entender, novamente tentei explicar, antes puxei alguns palmos de ar:
-Não posso fazer isso. Me desculpe.
-Por quê?
-Eu gosto de outra garota. Me desculpa.
Ela ficou em choque e rapidamente saiu de cima de mim. Agora estava totalmente abalada. Tentei me desculpar:
-Eu queria te contar... Mas não consegui.
De repente ela só olhou pra mim com os olhos cheio de lágrimas e disse:
-Sai da minha casa.


Esquecer do que falar
Definitivamente as coisas não estavam indo bem. Sai da casa da Lílian me sentindo péssimo, é a segunda garota que faço chorar em menos de um final de semana.
Cheguei em casa com uma nuvem negra sobre minha cabeça.
Fui para o meu quarto sem dar satisfações a ninguém. Cheguei lá me joguei na cama, como que quisesse que tudo voltasse ao normal. Estar a apaixonado é a pior coisa que pode existir.
O que eu vou fazer agora?
Nunca mais terei coragem de ao menos olhar para Lílian... Sou mesmo um idiota. Por que não fiz o que tinha que fazer? Esperei um tempão por isso, e agora simplesmente fugi. Acho que não sou mais homem, esse negocio de amor transforma a gente em veado.
Droga! Eu não sou assim! Eu não sou assim!
Por que estou agindo desse jeito?
Fiquei deitado por mais alguns minutos, logo depois decidi ir tomar banho.
Terminei e ainda estava de toalha quando minha mãe gritou:
-Talles, telefone pra ti!
Imediatamente pensei: “Lilian!”. Corri para me desculpar, isso não podia ficar assim. Atendi ao telefone e já ia começar a falar quando reconheci a voz do outro lado:
-Talles?
Era Sabrina. Fiquei meio estático, mas logo respondi:
-Sou eu.
-Oi. Como vai?
-Tou bem. E você?
-Também... Escuta, você vai fazer alguma coisa hoje a noite?
-Não, acho que não.
-Passa aqui em casa.
-Que horas?
-Depois das oito.
-Ta bom... Vou aí.
-Vou esperar, beijo.
-Outro.
-Tchau.
-Tchau.

Coisas que acontecem, pt 11.

Enfim entramos na sala do cinema, eu o apresentei para Lílian e tudo ocorreu normalmente até o fim da sessão. Quando terminamos ele só pediu nossos telefones, como se fosse um simples amigo e foi embora.
Lílian não desconfiou de nada, para a minha sorte.
Então voltamos para casa, novamente de onibus. No percurso ela colou em mim, pôs a cabeça sobre o meu ombro e enquanto acariciava a palma da minha mão comentou:
-Gostei muito de ter passado esse tempinho com você.
-Também curti pra caramba. –respondi tentando não tornar o clima estranho.
Passamos todo o tempo do onibus assim, bem juntinhos. Eu me sentia muito confortavel na presença dela, mas ao mesmo tempo sentia trair Sabrina.
Algum tempo depois chegamos a casa de Lilian, ja era fim de tarde e a noite já quase dominava por completo o céu. Fiquei esperando ela abrir a porta para poder me despedir.
Ela destrancou e se virou pra mim, então disse com um sincero sorriso no rosto:
-Foi ótimo passar esta tarde com você.
-Sim... Foi muito bom. –respondi demonstrando o mesmo sentimento.
Eu já iria dar um passo para trás e me virá pra ir embora quando ela perguntou:
-Não quer entrar?
Fiquei surpreso, e por um instante pensei: “Ah, não! Eu não posso entrar! Se eu entrar vou acabar fazendo besteira!”.
Voltei o olhar para o rosto dela que se mantinha tranquilo, era dificil imaginar que dali saisse segundas intenções.
“Ela só está me convidando por educação, sem falar que provavelmente sua mãe deve está em casa, então não vai ter problema nenhum se eu entrar e ficar só um pouquinho”.
Aceitei.


Entramos, eu já conhecia a casa de Lilian desde a epoca que namorávamos, então me senti bem a vontade. Ela disse:
-Senta no sofá, tou morrendo de sede... -e logo depois perguntou enquanto ia até a cozinha:
-Quer algo pra beber?
-Não, não precisa.
-É claro que precisa, vou trazer suco de maracujá. Voce adora!
-Tudo bem...
Olhei em volta e percebi algo errado, quase que istantaneamente perguntei aumentando um pouco a voz para que ela ouvisse lá da cozinha:
-Cadê a tia Alicia?
E ela respondeu me causando um calafrio:
-A mamãe ta viajando, só chega na segunda.
Deu merda! A mãe de Lilian é mãe solteira, e a irmã dela ta fazendo faculdade no interior, significa que estamos completamente sozinhos!
Aquilo me apavorou, nao era nada bom eu estar a sós com uma garota na casa dela. Quer dizer... Era ótimo. Por que isso nunca aconteceu quando estavamos juntos? Agora que terminamos e eu estou gamado em outra, me surge a oportunidade. Êta vida miseravel!
O que devo fazer?
Ri sem jeito e dei uma golada no suco. Ela só ficou me olhando e nem mesmo tocou na bebida, então novamente começou a me acariciar, desta vez, o rosto.
Manter a calma. Respirar fundo. Isso. Devo me tranquilizar. Não vai acontecer nada demais. Só vou tomar o suco, dar boa noite e ir embora. É só. Só isso. Mais nada.
Logo Lílian estava de volta com dois copos de sucos nas mãos, um deles ela me cedeu.
-Sem muito açucar como voce gosta. –ela disse sentando ao meu lado. Eu fingi surpresa:
-Ainda se lembra?
-É claro... Você foi o melhor namorado que já tive. –ela olhou fundo nos meus olhos, senti como se ela pudesse ver através de mim.