terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Coisas que acontecem, pt 06.

Falando de Explicações
Estávamos a caminho de nossas casas, a distancia se coincidia por uns duzentos metros, depois disso ela iria para um lado e eu por outro. Ou seja, tinha pouco tempo pra falar sobre o que aconteceu, procurei não perder muito esse tempo, já que era um desses assuntos que não dá pra conversar por telefone:
-Eu tou meio confuso, sabe...?
Ela continuou calada, continuamos andando.
-Eu não tou conseguindo encaixar as coisas direito... Você podia me dar uma ajuda?
Ela permaneceu sem dizer uma única palavra, e este silencio já estava me dando nos nervos. Os metros iam se acabando, eu tinha que fazer algo, ou passaria o sábado e o domingo em loucura pra saber qual o real motivo por isso ter acontecido.
Procurei pensar em algo, olhei para um lado e outro imaginado ver qualquer coisa que pudesse me dar uma luz, apenas uma idéia me veio à cabeça e estávamos a poucos metros da bifurcação de nossos trajetos, então a coloquei em pratica.
Segurei em sua mão e parei, ela também não reagiu, pude perceber que evitava me olhar, tentando me mostrar calmo questionei:
-Você não tem nada pra me dizer?
De repente ela olhou pra mim, seus olhos lacrimejavam, mas sua feição permanecia neutra, largou-se da minha mão e disse me dando as costas:
-Eu também estou muito confusa...
Foi embora. A vi dobrar a esquina em passos calmos. Aquela imagem despedaçou meu coração.
Eu havia feito uma garota chorar? E justamente a garota que eu gostava!
Em seguida começou a chover. E até pareceu aquelas cenas de filmes românticos.


Estava me molhando todo e mesmo assim eu não queria sair dali, a chuva me confortava. Olhei pro céu, a noite chegou mais cedo naquela tarde.
E logo o frio começou a fazer meu esqueleto tremer.
Dei dois passos rápidos pensando em fugir da chuva, foi quando me dei conta que já estava totalmente ensopado, desisti da idéia e continuei no mesmo ritmo sem me importar com a água.
Comecei a especular sobre tudo o que havia acontecido... Mas nada na minha mente se encaixava direito. Não conseguia pensar, apenas rever mentalmente todos os momentos de poucas horas atrás, e de como tinha sido bom.
Quando dei me conta, não me molhava mais, alguém havia posto um guarda chuva sobre minha cabeça, olhei inocentemente para ver quem era, e não me surpreendi quando vi Lílian, a minha vizinha e amiga de escola (vista pela primeira vez no capitulo “falando dela”; pág. 1).
-Eu não vou deixar meu amiguinho pegar um resfriado!
Foi o que ela disse me dando um abraço exprimido para que nós dois coubéssemos na área de proteção do objeto: o guarda chuva. Respondi com um sorriso:
-Obrigado... O que seria de mim sem você?
-Às vezes eu também me pergunto isso, mas se bem que banhar na chuva é uma ótima idéia... Não acha?
Então ela fechou o guarda chuva e também começou a se molhar, sorri de novo e comentei:
-Tinha esquecido de que é você... –de repente subi meu animo, ela sempre conseguia fazer isso. Então propus:
-Quer apostar uma corrida daqui até em casa?
-Por que você acha que pode me vencer com essas perninhas de graveto?
-Porque sei que corro mais que uma baleia! –respondi brincando, ela fingiu ter ficado brava:
-Então ta! Eu vou conferi até três, em?
-Ta certo. -concordei já me preparando. Mas de repente ela começou a correr e gritou me dando língua:
-Não me pega!!!
Corri em seguida atrás dela:
-Assim não vale!


A casa de Lílian era segunda da rua, enquanto a minha ficava duas casas depois, do outro lado. Devido as más condições físicas em que me encontrava ela ganhou a corrida, paramos a porta de sua casa, onde já não nos molhávamos.
Então debochando de mim, Lílian comentou:
-Eu disse que você não iria ganhar.
-Foi sorte... – respondi pegando fôlego, ela continuou:
-Agora você me deve uma.
-Ah, é?! –fiz cara de quem não ia pagar nada, então ela disse já entrando em casa:
-Amanhã as três vamos ao cinema! Não vai me fazer ficar esperando.
Antes mesmo que eu pudesse falar qualquer coisa ela fechou a porta, demorei um leve instante parar perceber que havia marcado um encontro. Fiquei meio pasmo... E lembrei da Sabrina e até pensei em desistir, mas fazer isso com a Lílian seria sacanagem.
Cheguei em casa com muita coisa na cabeça... Tomei um banho e apaguei na cama sem nem mesmo jantar ou pensar.
Falando de fazer a coisa certa
Dormi até as onze e meia do outro dia, acordei para o almoço e minha cabeça já se mostrava cheia de pensamentos conturbados. Mesmo assim estava tranqüilo, o dia estava bonito, os pássaros cantavam, as arvores dançavam com o vento...
Percebi que já fazia tempo que não reparava nessas coisas, agora eu estava na mesa do almoço olhando pela janela, minha mãe comentou ao perceber meu suspiro forte e olhar brilhante:
-Ih... Acho que o cupido finalmente acertou meu filho.
-Não viaja senhora! –neguei a opinião, ela me ignorou e continuou:
-Já tava na hora, em? Quero saber quem é a garota.
-Do que a senhora ta falando?
-Não tenta me enrolar! Eu já tive a tua idade menino!
Fiquei calado. Ela tentou me deixar mais confortável a situação:
-O primeiro garoto que me apaixonei de verdade foi pelo seu pai, sabia?
-Sei... Sei...
-Ele me conquistou só com uma conversa e um guardanapo, acredita?

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