quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Coisas que acontecem, pt 11.

Enfim entramos na sala do cinema, eu o apresentei para Lílian e tudo ocorreu normalmente até o fim da sessão. Quando terminamos ele só pediu nossos telefones, como se fosse um simples amigo e foi embora.
Lílian não desconfiou de nada, para a minha sorte.
Então voltamos para casa, novamente de onibus. No percurso ela colou em mim, pôs a cabeça sobre o meu ombro e enquanto acariciava a palma da minha mão comentou:
-Gostei muito de ter passado esse tempinho com você.
-Também curti pra caramba. –respondi tentando não tornar o clima estranho.
Passamos todo o tempo do onibus assim, bem juntinhos. Eu me sentia muito confortavel na presença dela, mas ao mesmo tempo sentia trair Sabrina.
Algum tempo depois chegamos a casa de Lilian, ja era fim de tarde e a noite já quase dominava por completo o céu. Fiquei esperando ela abrir a porta para poder me despedir.
Ela destrancou e se virou pra mim, então disse com um sincero sorriso no rosto:
-Foi ótimo passar esta tarde com você.
-Sim... Foi muito bom. –respondi demonstrando o mesmo sentimento.
Eu já iria dar um passo para trás e me virá pra ir embora quando ela perguntou:
-Não quer entrar?
Fiquei surpreso, e por um instante pensei: “Ah, não! Eu não posso entrar! Se eu entrar vou acabar fazendo besteira!”.
Voltei o olhar para o rosto dela que se mantinha tranquilo, era dificil imaginar que dali saisse segundas intenções.
“Ela só está me convidando por educação, sem falar que provavelmente sua mãe deve está em casa, então não vai ter problema nenhum se eu entrar e ficar só um pouquinho”.
Aceitei.


Entramos, eu já conhecia a casa de Lilian desde a epoca que namorávamos, então me senti bem a vontade. Ela disse:
-Senta no sofá, tou morrendo de sede... -e logo depois perguntou enquanto ia até a cozinha:
-Quer algo pra beber?
-Não, não precisa.
-É claro que precisa, vou trazer suco de maracujá. Voce adora!
-Tudo bem...
Olhei em volta e percebi algo errado, quase que istantaneamente perguntei aumentando um pouco a voz para que ela ouvisse lá da cozinha:
-Cadê a tia Alicia?
E ela respondeu me causando um calafrio:
-A mamãe ta viajando, só chega na segunda.
Deu merda! A mãe de Lilian é mãe solteira, e a irmã dela ta fazendo faculdade no interior, significa que estamos completamente sozinhos!
Aquilo me apavorou, nao era nada bom eu estar a sós com uma garota na casa dela. Quer dizer... Era ótimo. Por que isso nunca aconteceu quando estavamos juntos? Agora que terminamos e eu estou gamado em outra, me surge a oportunidade. Êta vida miseravel!
O que devo fazer?
Ri sem jeito e dei uma golada no suco. Ela só ficou me olhando e nem mesmo tocou na bebida, então novamente começou a me acariciar, desta vez, o rosto.
Manter a calma. Respirar fundo. Isso. Devo me tranquilizar. Não vai acontecer nada demais. Só vou tomar o suco, dar boa noite e ir embora. É só. Só isso. Mais nada.
Logo Lílian estava de volta com dois copos de sucos nas mãos, um deles ela me cedeu.
-Sem muito açucar como voce gosta. –ela disse sentando ao meu lado. Eu fingi surpresa:
-Ainda se lembra?
-É claro... Você foi o melhor namorado que já tive. –ela olhou fundo nos meus olhos, senti como se ela pudesse ver através de mim.

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