Ele coçou a cabeça, suspirou, olhou para um lado e outro, suspirou mais uma vez e então disse:
-Ta bem. Eu vou contar...
Ficamos atentos ao ouvir, ele explicava:
-Eu fiz uma besteira. Peguei umas coisas de um cara aí... Agora ele está atras de mim.
-Que coisas? Que cara? -Lilian insistia, e ele teve de explicar todos so detalhes:
-Eu tinha uma velha moto. Dada pelo meu avô... Era uma moto perfeita, em todos os detalhes. Aí, esse cara, o nome dele é André, apostou um pega comigo... O premio seria a moto que o outro estivesse correndo. Eu ganhei. Mas o safado não quis me dar a moto dele, e ainda por cima roubou a minha com a gangue dele.
É claro que nao sou cara de deixar as coisas baratas assim. Fui lá... E roubei a moto dele. Agora ele ta me caçando.
Lilian pareceu ter se fascinada com a "historia", e perguntou assim que ele fechou a boca.
-Como podemos te ajudar? -Ele respondeu:
-De um lugar pra ficar por enquanto.
-Cara, você não ta mentindo, não, né? Se voce tiver mentindo, te garanto que posso ser pior que esse tal de André.
Questionei amargamente, mas ele praticamente debochou de mim:
-Por que eu iria mentir pro meu primo querido?
-Nós precisamos ajudá-lo! -Lilian estava totalmente convencida que ele tinha razão.
-Não sei se minha mãe vai concordar com a ideia... -argumentei, Lilian propôs outra coisa:
-Ele pode ficar lá em casa.
-É, isso! Posso ficar na casa dela!
-Claro que não! -Tentava impor decisões, mas as coisas estavam dificeis.
-Por que ele não pode ficar lá em casa? -Lilian me questionou brava. Eu respondi ainda raciocinando em uma resposta:
-Onde ja se viu... Voce mal conhece o cara. Não dá, né?!
-Você está com ciúmes Talles?
-Ciúmes? Ta louca?
-Não acredito. Voce está com ciumes! -ela afirmou de tal forma que eu quase acreditei.
-Se não é ciúmes é o que?
-Eu só quero dizer, que talvez, não seja uma boa ideia.
-Por que não? -os dois fizeram um couro. Gritei de raiva:
-Ele fica na minha casa, esta bem?! -lá se vai a minha opinião.
Ela ficou calada, como se concordasse com a ideia. Orlando apenas disse:
-Ta certo, só tenho que ir até minha casa pegar umas coisas.
-Nós vamos com voce! -Lilian se mantinha empolgada. Mas a repreendi:
-Claro que não. Pode ser perigoso. O primeiro lugar que esses caras devem estar te esperando é na sua casa.
-Isso é verdade. Mas é um risco que tenho que correr. -Orlando disse, e Lilian impôs:
-Talles você vai com ele.
-Por quê?
-Porque voce mesmo disse que é perigoso.
-Ta bom. Mas você tem que ir pra casa, se nao eu não vou.
Lilian concordou, e logo ela estava de saida, e assim eu e Orlando fomos até sua casa.
Orlando não morava muito longe dali, mas apesar disso fomos na moto que supostamente ele havia roubado. Que cá entre nós, era uma moto muito louca! Parecia com aquelas que correm no "motoGp" com aqueles pilotos e seus macacões coloridos.
Mas foi tarde demais que percebi que não havia sido uma boa idéia, reconheceram a moto no caminho e a tal gangue começou a nos perseguir. Orlando avisou:
-Vou tentar despistá-los. As motos deles não conseguem acompanhar essa belezinha!
O problema maior era que estavamos praticamente no centro da cidade, as ruas eram estupidamente movimentadas. Ele realmente teria que ser um ótimo piloto, ou nós dois estavamos ferrados.
Olhei pra trás e vi tres motocicletas, e em uma delas havia dois caras, um pilotando e outro com uma ripa de madeira na mão. Aquilo fez meu coração acelerar de tal forma, que nem pensar direito eu conseguia.
Atravessavámos avenidas a mais de 120 por hora, entravamos em contra-mão, curvas que faziam meu joelho tocar o asfalto...
Orlando tinha razão, as motos deles não eram suficientemente potentes, e não conseguiram se manter no ritmo. Logo despistamos os nossos perseguidores, mas agora estavámos longe demais da casa de "meu primo". Perguntei nao sabendo o que fazer:
-E agora? Se voltarmos para sua casa ele provavelmente nos encontrarão... O que faremos?
-Não sei... Posso tentar ir por um outro caminho... Mas vai ser tão perigoso quanto antes.
-Afinal o que você tem de tão importante na sua casa?
De repente ele ficou sério, como nunca tinha visto. E respondeu com uma voz preocupado:
-Uma irmã.
Nessa hora levei um susto! Com assim uma irmã? Porque ele não falaou, antes? Ela provavelmente deve esta em perigo!
Neste momento percebi a gravidade do problema, e apenas ordenei:
-Acelera pra sua casa.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
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