Eu me sentia totalmente confortável a falar sobre qualquer coisa quando estava com ela, e saberia que ela teria uma opinião, às vezes bem chata, sobre o assunto.
Mas as coisas estavam simples demais pro meu gosto.
Um mês depois, percebi algo que tentara evitar por todo esse tempo: estava apaixonado por Sabrina. Pensava nela quase como na mesma proporção em que respirava... Tudo a minha volta trazia consigo um pedaço dela.
Era tarde, não tinha mais volta. Meu ego, antes tão poderoso, agora parecia sumir inteiro. Nunca consegui vencer uma única “batalha” contra ela... Maldito coração besta que não faz nada certo, me espanta o fato dele ainda saber bombear o meu sangue.
Ficando calado
Estávamos cabulando aula. Era algo quase inédito em minha vida, talvez essa fosse a terceira ou quarta fez que estivesse fazendo isso em todo esse tempo de escola. Estávamos em uma pequena escadaria que dava ao anda superior, devido ao horário de aula, o local estava totalmente deserto e continuaria assim por um bom tempo.
Encostei-me na parede, enquanto ela sentou no degrau, olhei pro teto e comentei:
-Você é do mau. Obrigando-me a gazear aula, sua única sorte é que você é um pouquinho maior que eu.
-Bateria em uma mulher, senhor Talles?
-Eu bateria em você, senhorita Sabrina.
De repente sua feição fechou de tal modo, que nunca tinha visto antes, algo naquele olhar me mostrava que eu não tinha escolhido as palavras certas... Apenas gesticulei:
-Lembra que você não é humana? Por causa da matemática e o vôlei...
Então aquele olhar sério meio que caiu no chão como uma mascara, e por trás dela um olhar delicado, inocente, surgiu. Perguntei não entendendo:
-O que foi?
De repente um vago sorriso escorreu dos lábios dela e uma frase constrangedora ela soltou:
-Você é tão fofo!
De repente fiquei com o rosto vermelho, sem palavras, ela percebeu e continuou a me fitar com aquele olhar de mãe que ver pela primeira vez o filho recém nascido, eu não consegui entender o que se passava ali. Tinha algo misterioso nessa historia toda... E eu tinha até medo de descobri o que.
Então me sentei ao lado dela, um degrau acima, só assim nossa altura se nivelava. Tentei mudar de assunto:
-Então, você vai à festa no sábado?
-Só se você for... Não quero ficar sozinha lá.
-Até parece... O Carlos vai.
-E o que, que tem?
-Ele te faz companhia.
-Eu nem sou tão intima dele assim.
-Nada que alguns minutos de conversa não resolvam.
-Ele tá te pagando alguma coisa?
-Como assim?
-Sei lá... Fica falando dele aí... Desse jeito... Não parece você.
-Acho que Carlos é melhor companhia do que eu nessas horas, se tiver comigo a festa vai ser bem chata.
-Por que você faz isso?
-Isso o que?
-Fica se humilhando... O que tá tentando fazer?
-Eu... Nada, só acho que talvez seja melhor assim, mas se você não quiser não tem problema, eu vou.
De repente ela pegou em minhas mãos, aproximou o rosto do meu com seriedade e disse:
-Não há uma única garota da escola que não gostaria de estar com você naquela festa. Você deixa todo mundo feliz. É incrível...
-Ta falando de que?
-De mim. De você. O Único motivo por não ter mudado de escola.
-Verdade...?
-Você é o melhor amigo que eu já tive.
Essas ultimas palavras me doeram o coração. Quando a palavra amigo é posta deste modo em uma frase significa que “você ta fora”, perdeu o jogo. Jamais vai conseguir mais que um abraço!
-Amigo...? –Minha voz saiu nítida e sem alteração devido ao momento, foi quando ela percebeu o que eu realmente sentia por ela.
Houve um minuto de silencio. Como se ela tivesse procurando uma forma de dizer um “não” menos devastador, e quando eu já iria abri a boca pra pedir que ela não falasse nada e que eu já tinha entendido tudo, ela me beijou.
Foi um beijo tímido. Mas perfeito.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
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