segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Coisas que acontecem, pt 02.

Quando ela achegou na escola os professores pediram-me que eu a auxiliasse no que fosse preciso. Uma garota muito bonita: cabelos curtos e loiros, com quase um metro e oitentas, pernas e corpo de uma atleta. Enfim, uma garota que todo jovem deseja, inclusive eu. Mas sei quando a areia é demais pro meu caminhãozinho (meus pobres um metro e sessenta e dois), então arranquei logo todas as minhas esperanças e comecei a tratá-la como se fosse um amigo meu, desses que jogam vídeo-game, conversam sobre mulher, filmes violentos... Essas coisas, mas antes disso muita coisa aconteceu, e eu vou relatar mais adiante.
O nome dela é Sabrina. Tipo a bruxa da TV. Ela não gosta dessa comparação...
Então me apresentei e fomos para o almoço juntos, foi nossa primeira conversa.
Ainda corria aquele clima estranho, estávamos sentados em uma mesa da lanchonete da escola, pra quebrar o gelo perguntei:
-Gostou do colégio?
-É cedo pra responder... –comentou sem mostrar muito interesse na conversa, eu continuei:
-É verdade, mas alguma opinião de primeira impressão?
-Parece legal. Estuda aqui desde quando?
-Desde o primeiro ano.
-Deve conhecer bastante gente então? –ela perguntou como se isso fosse algo importante, respondi com um tom sem expiração pra mostrar que, definitivamente, não era:
-Nem tanto...
-Você parece ser um garoto chato. –ela terminou a frase como se me desdenhasse, não sei por que, mas nem liguei, a verdade foi que não pareceu um insulto, apenas respondi:
-Eu sou...

A gente conversou sobre um bocado de coisa, e o mais interessante, é que sempre chegava alguém pra conversa comigo, até aqueles que nunca tinha dito um oi, é lógico que todos eram garotos. Ficou claro que era só ela estalar os dedos e se tornava uma Deusa. No corredor as outras garotas mostravam a clássica inveja, com olhares de raivas e comentários toscos. Ela nem ligava... Eu muito menos.
Assim foi o nosso primeiro dia. Daí em diante as coisas só começaram a ficar imprevisíveis...
Falando de nós
-Então você ta pegando ela?
Meu amigo Ícaro perguntou, acho que é o meu melhor amigo, é meio difícil de saber, ele não estuda na mesma escola que eu, mas é meu vizinho desde os tempos mais primórdio. Sempre jogamos vídeo-game nos fins de semana, e hoje não é diferente para um domingo. Então respondi a pergunta dele sobre Sabrina:
-Que nada. Não dá pra mim. –estava mais concentrado no jogo do que na conversa.
-Por que não? É patricinha?
-Longe disso... Ela é do vôlei, tipo atleta, sabe?
-Sei... Mas não entendi porque você ta com medo dela. –ele fez cara feia depois da pergunta, tinha percebido que eu havia encurralado-o no jogo.
-Eu não estou com medo dela, só acho que não vai rolar... -silencio que precedeu um grito de minha vitória na batalha virtual:
-Gostou dessa, safado?! Um tiro bem na testa.
-Merda... -resmungou já iniciando outra partida. -E aí?! Vai ficar só nisso então? Não vai tentar nada?
-Tou pensando em usar um rifle dessa vez.
-Tou falando da garota.
-Ah... É só isso mesmo. Já pensou se eu pego um relaxo? Vai ser ralado. –Ícaro pareceu ter compreendido:
-É verdade... Hei...
-O que foi?
-Eu tenho uma coisa pra te dizer.
-Pode falar, eu tou ouvindo.
-Eu tou bem atrás de ti!
-NÃO! Ahhhhhh! Desgraçado... Eu não tinha te visto.
-Minha camuflagem é a melhor, e com uma faca na mão eu sou um açougueiro!
-Ai, ai... Vamos de novo. Aperta start aí... E tu? Lá na tua escola? Ta com alguma guria? –mudei de assunto.

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