Falando de mim
É complicado envelhecer... Principalmente quando se tem dezessete anos, eu não sei se isso é só comigo, mas não me sinto confortável com o fato de perceber as coisas passando rápido demais.
Mas o que adiantará minhas suplicas ao tempo, só perderei mais tempo com isso. Porque se formos parar pra pensar no tempo, nunca chegaremos a uma conclusão descente, exceto olhar pra trás e perceber que toda essa “pensação” foi perda de tempo.
Só o fato de eu estar aqui é perda de tempo. Se eu disser “perda de tempo”, já estou perdendo meu tempo pensando nisso. Mas que saber... Não tou nem aí. O tempo é só mais uma coisa que teremos que conviver, então deixa pra lá!
Pensamento meio maluco, mas o que esperar de uma pessoa como eu. Nunca encontrei ninguém que compartilhasse de idéia ao menos semelhante às minhas, talvez, porque eu seja muito extremo, talvez não... Você só vai saber se me conhecer. Então é melhor que comecemos. Meu nome é Talles, tipo aquele do teorema, sabe?
Estou fazendo o ultimo ano do ensino médio e como todo garoto nessa idade, sinto a pressão do vestibular, das pessoas falando que já é hora de crescer e todo esse blá-blá-blá hipócrita.
Minha vida em geral é normal, não sou órfão, não tenho nenhum parente intimo morto, meus pais são separados, tenho um irmão, estudo em uma escola mais ou menos, não tenho namorada (se bem que sinta falta de uma...) e tantas outras coisas.
Talvez por ser assim tão normal esse conto não tenha graça. Mas é apenas um relato de como às vezes as coisas podem, ou não, acontecer.
Chega de enrolação... Vamos à parte interessante da minha vida.
Falando dela
No inicio desse ano conheci uma garota na escola e me tornei muito amigo dela. Mas meio que muito mesmo, a gente faz quase de tudo junto. Aconteceu no inicio do ano letivo, nos primeiros dias de aulas, eu sempre fui um estudante razoável, sem muitas notas baixas... Minha mãe sempre disse que eu era um garoto muito inteligente, só me faltava esforço pra esse negócio de estudo. Com isso me tornei um tanto popular com os professores, meu carisma também não era de se jogar fora.
Meu grupo de amizades na escola era vasto, mas pouco usual, eram extintas as pessoas que me cabia conversar mais que monossílabas, em especial a Lílian, que estudou comigo na terceira série. Ela é legal, meio extrovertida demais, mas é isso que a torna interessante, eu acho... Pelo menos para os outros garotos, na verdade o que gosto nela é a forma com que lida em determinadas situações os seus problemas. Ela joga tudo pro alto, usando pouco de bom senso: “só é bom quando faz mal!”, ela vive a me dizer quando nego algo que julgo desnecessário.
A verdade é que já rolou algo ente nós, terminou simplesmente porque nossas diferenças não se encaixavam, mesmo assim continuamos amigos.
Mas o momento mais importante da minha adolescência não é com a Lílian, é com outra garota... Foi ela quem deu graça ao meu ensino médio, transformando o que seria um simples passeio de barco no lago, em uma expedição a ilha do tesouro em um navio pirata! Talvez seja exagero... Mas pra mim, pouco importa.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
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